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FRANÇA - Dia 12: La Barben

Domingo de sol, preparamos nossa mochila e seguimos para o Château de La Barben. Meia hora por estradas secundárias e nos supreendemos com a quantidade de pessoas e carros que já estavam por lá. Na realidade, a maioria estava no Jardim Zoológico e como nosso objetivo principal era o castelo, seguimos até o estacionamento mais adiante. Lá conseguimos achar vaga facilmente para o carro e fazer nosso piquenique entre árvores ao som do riacho ao lado. Muita gente fazendo piquenique por ali também. Depois guardamos tudo e seguimos ao castelo.



A visita é guiada em francês. A guia percebeu que não éramos franceses e disse que se tivéssemos qualquer dificuldade em compreender que ficássemos à vontade para perguntar ou pedir que ela falasse mais lentamente. O castelo é a residência de uma família e lá eles tem Chambres d’hôte. Fica a dica pra quem quiser morar num castelo por uns dias. A visita percorre vários cômodos mobiliados e conta a história do castelo e de peças que existem lá, falando também dos costumes das diferentes épocas, desde hábitos de banho a utensílios domésticos, peças de tapeçarias a quadros e enciclopédias iluministas. Não é permitido fotografar no interior do castelo. O melhor com bebês é ir de sling, pois alguns cômodos são muito apertados para manobrar carrinhos, considerando a mobília e os demais visitantes.






Depois do castelo pensamos em ir visitar o zoo, mas com o ingresso a 14,50 euros por adulto, considerando nosso ritmo, resolvemos nos largar num gramado e curtir o local.
Na volta, ainda claro, resolvemos dirigir até Rognes, cidadezinha ali perto. Fomos sem pretensões além do prazer de dirigir num dia bonito por estradas da Provence.

Voltamos pra Aix, felizes e cansados, pra fechar as malas e organizar este blog.
No dia seguinte, deixamos o hotel de mala e cuia, devolvemos o carro, e pegamos o trem de volta pra Paris.

Não conseguimos ver campos lilases de lavandas, mas encontramos campos amarelos, inspiradores para parar no meio do caminho e tirar algumas fotos.

FRANÇA - Dia 11: Carcassonne - Ventabren - Aqueduc - Aix-en-Provence

O sábado amanheceu molhado e cinza. Uma leve chuva caia, um contraste inacreditável com o sol do dia anterior. Tivemos muita sorte. Por causa do tempo e cansados, abortamos os projetos de visitar a feira de produtos regionais no centro da cidade nova, visitar a catedral e fazer o passeio de barco. Uma pena...

Programamos o GPS e 260 km depois chegaríamos ao destino. Pegamos a autoroute novamente e lá se foram mais cerca de 24 euros em pedágios. O caminho sem pagamento de pedágio levaria 3h30, ao invés das 2h30, então resolvemos pagar. Conforme seguimos viagem, o tempo foi mudando radicalmente. Quando nos aproximamos de nosso destino, o céu estava sem nenhuma nuvem e com um belo sol.

Como estava cedo e sabíamos que o chek-in era somente às 17h, resolvemos ir para a cidade de Ventabren comer alguma coisa. A cidade, embora abarrotada de carros, estava praticamente deserta. A cidade parece cinematográfica, com a igrejinha, as casas e seus terraços na subida no morro, portas, janelas e varandas super bacanas, ruas em curva e com escadas.




Andamos por lá e o único restaurante que encontramos tinha várias estrelas Michelin – o que significa ser mais caro. Mas já passava das 14h30 e disseram que estava fechando. Vimos um café aberto mas a moça disse que não tinham nada pra comer. Pedimos uma bebida gelada, ela aqueceu a comida de Joaquim e sentamos no meio daquele cenário lindo matando a fome ao menos de um de nós. Seguimos caminhando e subimos ao topo do morro onde tem umas ruínas. Lá, atrás do cemitério, encontramos um centro de lazer com muita gente, muito espaço, muitas quadras esportivas de todos tipos. Não vimos lugar nenhum pra comer, mas belos gramados pra piquenique.


Resolvemos chegar mas cedo no Chambre d’hôte, programamos o GPS e seguimos por estradinhas muito estreitas. Vimos placas na estrada e encontramos o local. Como nas fotos, é realmente lindo, com uma vista fantástica do vale, uma piscina enorme, um jardim diversificado. Encontramos a dona e ela disse ter enviado a resposta naquela manhã, dizendo que não poderiam nos receber, pois estavam replantando jardim, sem muita estrutura na casa... mas já que estávamos lá ela disse que poderíamos ficar. Ainda assim, decidimos ir pra Aix, procurar nosso conhecido Hotel L’Atrium. Este Chambre d'hôte, diferente de Carcassone, nos pareceu isolado demais, longe de tudo.

Pegamos a estrada e no caminho vimos que o GPS nos levou novamente para o Aqueduc de Roquefavour. Céu azul, resolvemos achar alguma estrada que nos levesse para o alto. Seguimos caminhos e vimos um carro que ia na mesma direção. Lá em cima, fomos de carro até onde dava e pegamos uma estradinha a pé, bebezão no sling e seguimos caminhando. Tinha cerca de 10 ou 12 pessoas por lá: idosos caminhantes, gente de bicicleta, casal com um menino - tudo que é tipo de gente curtindo a vista fantástica lá do alto, o aqueduto e a montanha Sainte-Victoire que se fazia presente.







Quem diria que uma manhã tão feia viraria um dia assim?




Saciados, nos instalamos novamente no hotel. Agora a preço de balcão (pagamos mais caro por termos ido sem reserva pela internet). Assim que largamos as malas, corremos pra um Quick, que fica na Avenida Mirabeau, que estava super animada. Sentamos numa mesa na calçada pensando que o melhor foi ter voltado pra civilização, pro movimento, pro espaço já dominado. Muitos dias circulando, as baterias já estavam ficando fracas... descansar é preciso.
Mas os planos de ir ao castelo de La Barben continuaram de pé.

FRANÇA - Dia 08: Avignon

Hoje fomos a Avignon pra passar o dia. Escolhemos o caminho evitando pedágios que durou cerca de 1h30. A viagem é tranquila, cheia de coisas pra ver pelo trajeto, diferente da autoroute que normalmente não reserva grandes surpresas. A volta fizemos pela autoroute por que queríamos chegar logo, então em menos de 1h já chegamos de volta em Aix. Em Avignon nos dirigimos direto para a cidade intra-muros. Conseguimos um lugar na rua pra estacionar facilmente, por sorte. Ali também não se paga estacionamento entre 12h e 14h, o que é lucro pra nós. A cidade tem ares de cidade grande e inclusive a cidade intra-muros transpira um ritmo mais urbano. Sem mapa, saímos andando pela cidade mas acabamos andando por ruas sem muita graça, então resolvemos pedir informações para saber onde poderíamos conseguir um mapa. O melhor seria termos ido direto para a avenida da República, entrada principal da cidade intra-muros. Ali está o único “office de tourisme”. De mapa em mãos, nos indicaram os principais pontos turísticos e nos deram a noção de tempo-espaço da cidade. Embora se possa andar por toda cidade velha a pé, ela á maior que as outras cidades que vistamos. Tem algumas ruas mais largas mas também ruelas bem labirínticas. Amo mapas! Compramos uma comidinha e seguimos pro Roche des Doms, um parque lindo no alto de um rochedo com uma vista linda pra o rio Rhône. Vista de cima de Roche des Doms: ponte sobre o Rhône e promenade na Ilha O parque fica logo ao lado do Palais des Papes, então após fazer um piquenique e tirar várias fotos, seguimos para visitar o maior edifício gótico da Europa. Pagamos tarifa reduzida de estudante (8,50 euros – tarifa integral é de 10,50), deixamos o carrinho de bebê e mochilas, pegamos o audioguia que está incluído no preço e seguimos pelas grandes salas e capelas. De lá do alto se tem uma vista muito legal da cidade. Voltamos pra pegar o carro, pois nosso tempo de parquímetro estava acabando. Passamos pela agitada Praça do Relógio, cheia de café, restaurantes, a prefeitura, a ópera, vimos o carrossel antigo, um homem tocando realejo. Passamos por uma ruinha muito interessante, cheia de rodas d'água e comércio interessante, a Rue des Teinturiers. Vale à pena dar uma caminhada por lá. Nos perdemos um pouco de carro pelas ruas estreitas e nos dirigimos para o Promenade Chemin de Halage, que fica na Ilha de la Barthelasse, em frente a Avignon. Uma tarde perfeita de primavera, clima super agradável com gente andando de bicicleta, correndo, treinando cachorros, namorados, velhinhos, casais com filhos. Muitas fotos, uma esticada na grama, foi difícil deixar a beira do rio e a ponte antiga inacabada e aquele sol dourado de fim de tarde.

FRANÇA - Dia 07: Aix-en-Provence

Decidimos ficar em Aix hoje. Elegemos alguns lugares pra visitar e lá fomos nós de carro. Primeiro resolvemos conhecer o último atelier de Cézanne, mas acabamos deixando pra sair ao meio-dia e eles fecham entre 12h e 14h. Então compramos alguma comida em um mercado e em uma boulangerie e seguimos na direção mesmo assim. Quando nos aproximamos vimos umas placas indicando o atelier, mas como estava fechado resolvemos continuar subindo um pouco mais o morro pra ver a vista que teria do alto, então avistamos umas placas que indicavam o Terrain de Peintre, que fica bem no topo do morro. Achamos com dificuldade um lugarzinho pra deixar o carro. Encontramos um jardim lindo que subia ainda um pouco e lá do alto vimos a montanha Sainte-Victoire e descobrimos que ali era o local onde Cézanne ia para pintar a montanha. No local existem reproduções de pinturas feitas daquele ponto, uma pequena galeria ao ar livre. Achamos uma arvorezinha simpática e sentamos ali mesmo na grama para um piquenique pra lá de tranqüilo. Início de primavera, a grama estava tomada por florzinhas brancas e amarelas – perfeito para a Provence.

Dali fomos até o atelier de Cézanne e novamente tivemos muita dificuldade para achar um lugar pra estacionar, pois não tem local na frente. A casa é pequena, de dois andares, embaixo uma recepção com venda de souvenirs e pra visitar em cima o atelier se paga 5,50 euros por pessoa. Resolvemos ver o local e ficamos meio decepcionados. Acho que deve ser interessante pra alguém que conhece muito a biografia do artista. Em algum local li: “não espere encontrar aqui mais do que a presença de Cézanne”. Os 5,50 euroa do ingresso permitem ver a sala onde ele trabalhava, com alguns objetos que ele usou de modelo em suas pinturas de natureza morta. Uma TV exibe imagens de quadros feitos com objetos ali presentes e pode-se ler numa folha algumas informações sobre a casa. Os jardins são bem bonitinhos, com algumas trilhas, mesas e bancos – de graça. Um lugarzinho agradável que teríamos saboreado mais se não tivesse chegado uma excursão de uns 40 adolescentes e dominado o lugar singelo...
vista do jardim - mesinhas tomadas pelos adolescentes...



Joaquim dormiu assim que entramos no carro e como a antiga propriedade de Cézanne, onde pretendíamos ir, fica há uns 8 minutos dali, resolvemos fazer um trajeto mais longo pra deixa-lo descansar um pouco. Tinha lido de uma estrada bonitinha que ia em direção a montanha de Saint-Victoire, sentido Le Tholonet, então programamos o GPS e pegamos a estrada. Chegamos logo ao local e como a estrada era bonita, cheia de caminhos estreitos com curvas e paisagens legais, resolvemos ir seguindo. Fomos nos aproximando cada vez da montanha e curtindo cada vez mais a paisagem. Decidimos ir até um local chamado Saint-Antonin-sur-Bayon e lá encontramos a Maison Sainte-Victoire, um local onde tem museu com história da montanha, restaurante e de onde partem 4 trilhas diferentes montanha acima, com duração e níveis de dificuldades diferentes. Aliás, existem muitas trilhas naquela região e mesmo pra quem não quer uma longa caminhada, acho que vale a pena parar o caro e seguir alguns metros montanha acima ou mata adentro em alguma das tantas trilhas. Curtimos a montanha de perto e sentimos sua presença, força e imponência nesse comecinho de subida. Até a Maison Sainte-Victoire leve uns 15 km apenas.


Vista no trajeto - campos com flores e a montanha Voltamos a Aix e paramos num parque que vimos quando começamos este trajeto. Resolvemos ver qual era a do lugar e achamos o parque bem bacana. Lá no Parc de la Torse tinha muita gente correndo em grupos, sozinhos, pais com crianças, um clima gostoso de final de tarde. O parque vai costeando um riacho, tem uma parte com grama ótimo pra dar uma espichada, bancos de madeira convidativos, caminhos de terra ou asfalto – perfeito para carrinhos de bebês.




Fim de tarde bonito, resolvemos voltar no Terrain de Peintres pra ver a Sainte-Victoire dourada pelo sol poente. Ela fica no lado oposto ao pôr do sol, sendo ótima tela pra receber as variações de cor do fim do dia. Chegamos uns 5 minutos tarde demais, e ela já não estava mais tingida. Mas fica aí uma dica: pôr do sol no Terrain de Peintres, num piquenique com bom vinho provençal. O lugar é muito tranqüilo e não é fechado no fim do dia como muitos parques na França.

FRANÇA - Dia 06: Arles

Resolvemos dedicar o dia a cidade de Arles. Ela fica a 70 km de Aix pela autoroute, uns 50 minutos de viagem. Ao chegarmos na cidade, logo vimos placas sobre o centro de informações turísticas e um parque de estacionamento. Deixamos o carro ali após dar moedinhas pra duas senhoras que estavam ajudando a indicar a vaga. No centro de informações pegamos um mapa. A gente já tinha lido sobre alguns atrativos do lugar e visto que era possível comprar um passe com direito a várias visitas, o que ficaria mais barato que pagar uma a uma. Pagamos 9 euros com direito a 4 monumentos e 1 museu. Conseguimos comprar ali mesmo, mas também se pode comprar direto nos locais de visitação. O centro antigo é semelhante a outras cidades que já visitamos: você faz tudo a pé. Ruas estreitas, algumas onde passam carros, a diferença entra Arles e Salon é enorme em termos de conservação. Arles tem um ar muito antigo, não parece cidade cinematográfica toda pintadinha novinha, mas está bem conservada. Na parte mais distante da maioria dos pontos turísticos tem algumas ruas mais empobrecidas, perceptível pelos varais, cortinas, uma conservação mais precária – mas mesmo assim bem mais preservado que Salon. Lá visitamos quatro locais com o passe: Théâtre Antique (que tem recebido investimentos na preservação e que é utilizado às vezes), Amphithéâtre (que ainda recebe espetáculos e tem uma conservação mais precária – conseguimos subir em uma das torres e ter uma vista excelente do local e também da cidade), Thermes de Constantin (não achamos a visita muito interessante, talvez com mais informações seria) e Les Alyscamps (que é fora do centrinho mas dá pra ir a pé – um lugar estranho, interessante. A acústica na Igreja Saint-Honorat é fantástica, vale a pena testar). Também visitamos o Espaço Van Gogh, um centro cultural onde foi o Hôtel de Dieu, o hospital psiquiátrico onde Van Gogh foi internado após cortar a orelha. A Place Du Forum é famosa por ter um café que Van Gogh pintou, mas existem vários cafés e restaurantes ali. Van Gogh é o cara na cidade, assim como Cézanne é em Aix e Nostradamus em Salon. Dá pra fazer uma caminhada super agradável no calçadão na margem do rio Rhône. A cidade tem várias coisas interessantes (museus, parte da muralha, outros monumentos), saímos sem ver tudo.Vimos uma placa que propunha 4 circuitos diferentes para se fazer a pé: Circuito Van Gogh, Circuito Antigo, Circuito Medieval, Circuito Renascentista e Clássico. Les Alyscamps e uma cópia do quadro de Van Gogh retratando o lugar Vista da cidade Teatro antigo Anfiteatro Ali perto também tem outras vilas pra visitar como Les Baux-de-Provence e Saint-Rémy-de-Provence, mas cansados decidimos abrir mão. Pensamos que talvez devêssemos ter mudado nossa base pra cá, numa segunda fase da viagem, pois está perto de Avignon e passaremos aqui quando formos a Carcassonne. Mas a distância até Aix não é grande e lá acabamos fixando nossa casa temporária.

FRANÇA - Dia 05: Aqueduc de Roquefavour, Salon-de-Provence e Château de La Barben

Resolvemos dar uma descansada no hotel. Joaquim estava com sono na hora de sair e resolvemos deixá-lo fazer sua soneca no berço. Resultado, mais de 3 horas de soninho. Acabamos começando nosso passeio por volta das 16h. Tínhamos decidido visitar lugares no departamento de Bouches-du-Rhône, nos arredores de Aix. Começamos indo ao Aqueduc de Roquefavour. Pra chegar lá, programamos o GPS para Roquefavour pra ver onde ia dar para então tentar localizar o aqueduto. Deu certo, logo vimos placas e em 15 minutos já estávamos lá. Vale a pena parar o carro e caminhar nas margens do riacho que passa sob a ponte. Vimos gente no alto do morro, perto do aqueduto, o que nos leva a crer que dá pra subir lá, talvez até a pé do ponto onde estávamos. Não quisemos tentar pois tinha recém chovido e não queríamos levar Joaquim nessa aventura. Fomos então até o centro de Roquefavour, onde o GPS indicava. Tinha apenas uma casa lá...

De lá programamos o GPS e fomos pra Salon-de-Provence. Em 30 minutos chegamos à cidade. Tinha ares de cidade maior, tendo uma região central antiga. Procuramos o castelo, o Château de l’Empéri e avistamos no alto de um morro. Conseguimos chegar lá de carro, ele estava aberto mas não conseguimos vaga pra estacionar. Ficamos rodando na cidade tentando achar onde deixar o carro e tivemos muita dificuldade para achar uma vaga. Chovia fraquinho, as ruas estavam desertas. Era domingo a tarde e não tinha praticamente nada aberto. Parecia cidade fantasma. Conseguimos uma vaga e fomos a um café pra dar um tempo e ver se a chuva diminuía. O café ficava na frente do relógio e da fonte que parece um champignon gigante, de tanto limo acumulado.




A chuva diminuiu e entramos na cidade velha, percorrendo as ruelas. Encontramos logo uma estátua muito bacana de Nostradamus. Ele é figura turística lá, tendo uma pintura enorme dele na fachada de um prédio, uma rua com seu nome onde fica também o seu museu, na casa onde ele morou. Chegamos ao castelo e ele tinha fechado. Andamos mais um pouco e achamos a cidade muito mau conservada. Prédios com arquitetura recente se misturavam com os antigos, mesmo na parte mais antiga da cidade. Muitos dos prédios mais velhos estão mal conservados, dando um ar decadente a cidade. A impressão que dá é que não há uma política de preservação nem manutenção. Mesmo um dos atrativos desta parte central, a fonte antiqüíssima perto do castelo, que tinha placa com informações históricas e falava sobre a restauração do local, era desoladora. Estava muito suja e tinha lixo acumulado dentro, no fundo, com cara de que estava lá há muito, muito tempo. Fomos embora com a sensação de que não vale muito pena incluir Salon num roteiro. Talvez a visita ao castelo seja bem legal e o museu de Nostradamus, mas castelos legais existem em várias cidades. Bem bacana foi ouvir os sinos da igrela de Saint-Michel tocando, é um conjunto de sinos que badalam música em alguns horários.



Dali programamos o GPS para a cidade de La Barben, pois vimos no mapa turístico que tinha um castelo lá. Em 15 minutos, uns 30 km, estávamos dentro desta cidadezinha que nos pareceu muito simpática. Ela parece ser uma cidade recente, feita de casinhas com jardins. Não nos pareceu ter atrativos turísticos. Vimos placas indicando o Château de La Barben e seguimos direto. No fim da estrada vimos surgir o castelo. Ele tem todos os ares de um castelo medieval, com torres, muros, com janelinha pra princesa e parecendo a espera de algum dragão voador. Muito bonito. Ao lado do castelo tem um jardim lindo e tem também uma área de piquenique ao lado do riacho. Toda região de floresta. O Castelo fica ao lado do zoológico de La Barben. Estava escurecendo, tudo molhado da chuva e resolvemos voltar. Vimos um cartaz dizendo que nos dias 2 e 3 de abril o castelo reabrirá com apresentações medievais. Então resolvemos voltar no domingo pra um piquenique e visitar o castelo. Programamos o GPS pra voltar a Aix e em 20 minutos já estávamos chegando. No caminho passamos por um vilarejo chamado Saint-Cannat, bem pitoresco e bonito e pensamos em talvez ficar em uma pousada ali, no final de semana quando estaremos fechando a viagem.

FRANÇA - Dia 04: feira em Aix e praia em Cassis

Resolvemos mudar o ritmo da viagem e curtir uma praia. Mas antes resolvemos visitar a feira no centro de Aix, ver o que estas feiras provençais tem de tão especial. E realmente, estas feiras são um deleite aos sentidos: cheiros deliciosos, cores, sabores – várias vezes nos ofereceram degustão. Depois de ver a feira de alimentos, artesanado e roupas, fomos ver a feira de flores, que fica na praça da prefeitura. Tudo de bom para um sábado de manhã.

Depois disso seguimos pra praia. Destino: Cassis, a 48 km de Aix. Pra ir mais rápido, decidimos pagar pedágio mas não foi caro. Ruim é saber como os pedágios funcionam, pois existem dinâmicas diferentes: com atendente, pagamento automático, pra retirada de ticket, pra pagamento de ticket, pra arremesso de moedinha e assim vai. Pegamos um sábado lindo de sol. Rodamos um pouco até achar um local pra estacionar e demos sorte: de graça e bem localizado. A cidade se concentra na volta do porto onde tem vários cafés e restaurantes. Muita gente com cara de endinheirada, mas essa região central preserva os ares de cidadezinha. A praia de cascalho branco e mar verde, permite ver alguns morros em tons de marrom e laranja do lado esquerdo e rochas cinzas do outro lado. Na praia tinha muita gente deitada tomando sol, de roupa e tudo e direto no chão. Tinha algumas pessoas de roupa de banho tomando sol e alguns poucos adolescentes corajosos que entraram no mar por alguns minutos e com fortes reações à temperatura gélida da água. Ficamos imaginando que no verão não deve ter lugar pra pôr o pé no chão, pois se num sábado no início da primavera já tinha tanta gente por lá... Descobrimos lá que existem passeios de barco para visitar os calanques. Eles oferecem 3 possibilidades: 3, 5 ou 8 calanques, com durações que vão de 45 a 1h30. O preço varia conforme a duração. Decidimos ir no de 5, a um custo de 17 euros por cabeça e 1h05 de duração. Foi muito bacana. Eles dão algumas informações em francês sobre alguns pontos. Um passeio muito bonito.

Na volta programamos o GPS pra evitar pedágios e ele nos levou a Marseille. Atravessamos a cidade e ficamos impressionados com o tamanho – é a segunda ou terceira maior cidade da França. Resolvemos que não iremos visitar Marseille desta vez, estamos preferindo lugares menores e mais “apreensíveis”.

FRANÇA - Dia 03: Buoux, Apt, Roussillion, Gordes, Ménerbes

De posse de mapas, e pesquisando um pouco mais na internet, definimos nosso roteiro do dia. Resolvemos repetir a dose itinerando por villages de Vaucluse, departamento da França que faz parte da Provence – o mesmo departamento das villages de ontem. Aix pertence a Bouches du Rhône. Nosso destino era Gordes, mas no caminho resolvemos passar por Buoux, região produtora de lavandas. A época de flora da lavanda é em junho e julho, mas quisemos passar por lá mesmo assim. Passamos por algumas vilas que visitamos ontem e fomos adentrando numa serra super linda, de estradas estreitas, com curvas, montanhas rochosas e vales.

Quase chegando em Buoux, vimos uma placa que indicava um castelo, então entramos na estreita estradinha vendo paisagens ótimas para um piquenique. No entanto não paramos e quando chegamos ao castelo vimos que ele era um espaço restrito, pelo que parecia um local para atividades com estudantes. O GPS recalculou a rota e não precisamos voltar.

Boux é uma vila muito pequena, talvez se 15 a 20 casas, algumas poucas pousadas e restaurantezinhos, na encosta da montanha cercada por plantações de lavanda. Pensamos em almoçar naquela paz, mas o restaurante onde perguntamos estava fechado, então seguimos adiante para Apt. O trajeto foi muito legal, mais bonito ainda, com várias plantações de lavanda e vinhas. Aliás, vinha é o que não falta nessa região que deve ficar linda na época da colheita da uva – agora só se vê as videiras sequinhas.

Entramos em Apt, estacionamos o carro para comprar pão para nosso piquenique de logo mais. Andamos pelo centro da cidade que parecia deserta. Praticamente todo comércio estava fechado – e era apenas 12h30. O centro velho lembra Aix, mas menos preservado e cuidado. Conseguimos encontrar uma boulangerie (alguma estavam fechadas pois era hora do almoço...) e seguimos viagem para Roussillon.

Chegando lá, encontramos um estacionamento (todos são pagos na vila) que tinha uma área para piqueniques. Aproveitamos o local e depois exploramos a pequena vila que fica no alto de um monte. A região se destaca pelo ocre retirado da terra que exibe múltiplos tons de marrom e laranja. O assunto é tão relevante que tem até locais de observação do solo, informações geológicas da região. Todas as casas de Roussillon são pintadas com as tonalidades do ocre. O local pareceu muito tranqüilo, com hotéis e pousadas. Bem no topo da cidade há uma igreja cercada de ruelas onde há um mirante fantástico com uma vista muito ampla, me arriscaria a dizer que de quase 270 graus. Em outro ponto é possível ver algumas camadas da coloração da terra e ter uma vista panorâmica da vila.





Programamos o GPS e em cerca de 15 minutos chegamos a Gordes. O vilarejo tem uma estrutura turística maior, um castelo bem no centro e muitas ruinhas antigas de pedra – o que pra nós foi um problema, pois Joaquim chegou lá dormindo e explorar a cidade com ele deitado no carrinho foi exaustivo, pois tínhamos que carregar o carrinho quase que o tempo todo. Resultado: desistimos de circular, sentamos na varanda de um café com uma vista fantástica. Vimos algumas pessoas em um mirante num morro defronte de onde estávamos e resolvemos ir até lá. Uma vista perfeita e maravilhosa da cidade, que ocupa toda a encosta do morro com construções utilizando um sistema de terraços.





Decidimos ir a Ménerbes antes de voltar a Aix e tentar encontrar um lugar lá pra ver o pôr-do-sol. GPS programado, mais alguns minutos e avistamos a cidade. Conseguimos estacionar na entrada da pequena cidade e seguimos a pé. Lá de cima a vista também é fantástica. A cidade tem ares antigos, algumas casas menos conservadas. Teria sido legal se tivéssemos chegado um pouco mais cedo pra percorrer mais o lugar. A noite caindo, descemos o morro e retornamos pra Aix-en-Provence.

FRANÇA - Dia 02: Cadenet, Lourmarin, Lauris, Ansouis

Decidimos ir pra Lourmarin, direção norte, sem saber muito mais sobre a cidade. Programamos o GPS, optamos por evitar pedágios para poder circular por estradas secundárias. Nos primeiros quilômetros saindo de Aix, vimos placas indicando châteaux ao longo do percurso, vinícolas que além de produzir, vendem seu vinho e oferecem degustação. No caminho, nos deparamos com a vista de uma cidade montada num morro, com casa em tons de marrom e laranja e resolvemos entrar em Cadenet. Tentamos chegar até o alto do morro, mas depois de rodar e não chegar, resolvemos seguir para o nosso destino, porém fomos levados pelo GPS até uma ruazinha com casas simpáticas na parte alta da cidade. Não resistimos e decidimos parar para algumas fotos. Foto-a-foto, fomos descendo pelas ruas e percorrendo a pequena “village”. Tudo muito tranquilo, muito silencioso, muito vazio, vez por outra algum velhinho andando na rua, alguém cantando dentro de casa. Chegamos a uma pracinha e vimos um “office de tourisme”, resolvemos entrar pra ver se conseguiríamos um mapa da região. Voilá! Recebemos mapas, dicas, uma explicação geral sobre a região. Agora poderíamos fazer as escolhas dos roteiros com mais critérios.



Seguimos então para Lourmarin, uma pequena cidade que tinha um ar um pouco mais turístico, com uma pracinha onde havia alguns cafés e lojas de souvenirs. Mas o clima de tranqüilidade permanecia no ar. Na cidade há um castelo, aberto a visitação, mas que por fim acabamos não conhecendo internamente. Almoçamos num restaurante coma vista para o castelo. Depois de comer, andamos naquela direção e tivemos uma vista muito bacana da cidade. Descobrimos atrás do castelo uma plantação de oliveiras com um pessoal fazendo piquenique ali mesmo, encontramos uma trilha no bosque e mais um casal de velhinhos fazendo piquenique. No ar, o som do vento nas árvores, muitos pássaros e a tranquilidade mesclada com o sol suave. Na saída cruzamos com um funeral e o cortejo que seguia a pé o carro fúnebre pelas ruelas estreitas.



Programamos o GPS para Lauris, uma cidade que fica na encosta de um morro, com uma vista fantástica do vale. Conseguimos estacionar com facilidade, nos perdemos por ruelas antigas e fomos até um jardim na encosta, sentamos apreciando a calma, o céu azul, as construções de pedra. Em seguida resolvemos fazer um lanche e caminhamos até uma boulangerie que fica diante da prefeitura. Compramos uns doces típicos franceses e sentamos num banquinho na praça vendo a vida passar, deleitando agora nosso paladar.



Antes de o dia acabar, decidimos ir ver o pôr de sol em alguma outra vila, então o GPS nos levou para a pequena Ansouis. A vila ocupa um morro e no alto existe um castelo. Lá nos sentamos e assistimos o sol dourar as paredes de pedra e ir sumindo atrás dos morros no horizonte mudando as cores do mundo. Andamos um pouco durante o resto de claridade e a vila tinha o mesmo clima de cidade perdida, quase abandonada, das outras que vimos neste dia.

A distancia de uma village a outra varia de 2km a 5km, sempre por estradinhas estreitas de mão dupla, muito bem conservadas, de asfalto, com paisagens singelas e casinhas perdidas aqui e acolá. Voltamos já noite e foi super tranqüilo dirigir por lá. Além de o GPS sempre garantir uma orientação, o que significa que nunca estamos totalmente perdidos, todas as estradas possuem placas indicando os vilarejos da região.