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Budapeste

Tentamos lembrar quando foi a primeira vez que Budapeste foi citada em algum dos nossos planos de viagem (sonhar e planejar viagens é meio que uma mania que a gente tem, algumas acabam acontecendo...). Concluímos que foi em algum dia remoto onde decidimos que um dia faríamos uma viagem ao leste europeu. Mas a coisa parou por aí. Nunca tínhamos pesquisado realmente, procurado saber mais sobre esta cidade.

Quando moramos em Paris, entre 2010 e 2011 (por onze meses), tínhamos por objetivo aproveitar pra viajar bastante pela Europa. Reservamos grana pra isso, pois consideramos um boa oportunidade ter como base uma cidade européia como ponto de partida pra o resto do continente. Já estávamos em Paris há dois meses e ainda não havíamos tirado os pés do solo francês. Motivo: organização. De repente, numa segunda-feira a gente se olhava e dizia: vamos viajar no final de semana? Mas daí as passagens aéreas já estavam mais caras do que estávamos dispostos / podendo pagar.

Então um dia, antes que o tempo nos escoasse pelas mãos, resolvemos comprar as passagens para "A Viagem" de novembro (de 2010). Abrimos o site da E-dreams, de passagens low cost, e um mapa da Europa, que compramos na banca de revistas. Sem muitos critérios específicos fomos elegendo cidades no mapa e procurando preços na internet. Tipo: "moço, quanto chiclete dá pra comprar com estas moedas?". Olhando para o mapa da Europa, sonhamos com alguns países e cidades que por vezes nem ao certo sabíamos onde ficavam. "Ah, esse país fica ao lado desse outro! Puxa!"

Budapeste tinha um bom preço para o aéreo + hotel. E foi assim que a cidade voltou aos nossos planos de viagem. Faltando uma semana para embarcarmos, resolvemos pesquisar, afinal chegar numa cidade sem saber nada sobre ela é desperdiçar tempo e oportunidades! O Santo Google nos deu vários informações; a Lu, do blog Aventuras de uma família na Europa, também nos deu dicas bem legais e nos indicou o blog da Liana (Ela é americana... da América do Sul!) com ricas informações históricas sobre a cidade. Sabendo um pouco mais sobre nosso destino, começamos nossa aventura na sexta-feira pela manhã (05 de novembro de 2010), nosso vôo era às 13h e precisávamos descobrir como chegar no aeroporto de Orly, em Paris, de trem.

Não foi difícil, descobrimos o itinerário na internet, site da RATP, e assim deu para calcular o tempo, quase 1 hora para chegar lá desde nossa casa no 15º arrondissement de Paris. No aeroporto andamos um bocado até encontrar os guichês da Easy Jet, eles ficam numa parte meio isolada do aeroporto, mas quem tem boca vai a Roma, no caso à Easy Jet! Embarque tranquilo, vôo tranquilo. Ah, a Easy Jet não oferece lanchinho no vôo, como estamos acostumados no Brasil, aqui eles vendem lanches, bebidas, roupas, acessórios... tudo e mais um pouco. Tem um catálogo à disposição dos passageiros e a gente pede e paga pelo que quer.


No trem para o aeroporto em Paris

No avião para Budapeste

Chegamos em Budapeste às 15h30 e já tínhamos decidido ir de táxi para o hotel. Isso não é muito comum para os nossos padrões, normalmente preferimos pegar transporte público, ônibus ou metrô e caminhar mais um tanto para ir para o hotel quando chegamos numa cidade nova. Por duas razões: economia e oportunidade de já ir aprendendo como as coisas funcionam. Mas com um bebê a gente repensa algumas coisas... he he... e já tínhamos visto que o táxi não era assim tão caro.

Fizemos um trajeto de mais ou menos 45 minutos confortavelmente instalados no carro e cada qual vidrado na paisagem do lado de fora de sua janela, impressionados com o pôr-do-sol, às 15h30!, e com a cidade que aos poucos ia se revelando. Prédios lindos, antiquíssimos e impressionantes. Quando nos aproximamos do Rio Danúbio foi emocionante, estávamos do lado de Peste, e nosso hotel era na antiga Buda, de forma que nós não apenas avistamos o Danúbio, como fomos logo atravessando sua extensão através da ponte mais antiga da cidade! Memorável...


Ponte das Correntes, com Peste ao fundo


Castelo de Buda, um dos principais "postais" da cidade

Nosso hotel ficava pertinho da Ponte das Correntes (ou Széchenyi lánchid), que foi a primeira a ser construída ligando Buda e Óbuda à Peste. Estávamos super bem localizados, e o hotel era bem gostosinho. Achamos o atendimento eficiente, apesar de frio, os recepcionistas não eram de muito papo não. Quando chegamos, tentamos a comunicação primeiro em francês, não rolou, depois em espanhol, não rolou, até que meu parco inglês resolveu ressuscitar e eu virei a porta-voz da família. Ismael só agradecia em alemão! Eles providenciaram berço para Joaquim e sempre foram muito solícitos em nos deixar usar o microondas na cozinha para aquecer as sopinhas. Ah, e tinha frigobar no quarto, enchemos de sopinha caseira! O nome do hotel: Carlton.

Sobre a língua local, foi muito estranho não reconhecer nenhuma palavra! Até para olhar o mapa tínhamos dificuldades. Mas conseguimos nos virar bem, com meu inglês fraquinho. Ismael que ficava na maior agonia, porque ele adora interagir com o povo mas não conseguia...

Estávamos hospedados a 1 minuto a pé da Ponte das Correntes, que atravessamos zilhões de vezes durante todo o final de semana. Fizemos praticamente todos os passeios a pezão, mesmo quando olhávamos no mapa e achávamos que era um pouco longe, logo pensávamos que caminhando a gente poderia ver mais coisas pelo caminho e fotografar e coisa e tal, e assim foi. Primeira pernada foi logo na tarde/noite em que chegamos. Atravessamos a ponte e, seguindo a dica do recepcionista do hotel, fomos ver a tal Feira de Natal que estava começando naquele dia, no centro de Peste. Só para atravessar a ponte levamos quase meia hora, de tanto que parávamos para admirar a vista da cidade, os prédios históricos iluminados e fotograr muito. Quanto mais andávamos mais empolgados ficávamos com a beleza de Budapeste.

A Feira estava lindona, foi bem legal começar o final de semana assim, pois ela reunia várias coisas típicas e muitas coisas lindas. Jantamos por lá mesmo, depois de muita dificuldade para conseguir nos familiarizar com a moeda local, o forint (1 euro = 250 forint = 2,40 reais, na época), aliás passamos o findi todinho fazendo nó na cabeça para calcular o preço das coisas. E concluímos que Budapeste é uma cidade cara, embora tivéssemos lido o contrário. Na verdade concluímos isso porque passamos a calcular as coisas em reais, quando pensávamos em euro víamos que os preços estavam compatíveis com Paris, ou seja, caro!

No sábado, fomos presenteados com um sol lindo, coisa que há muitos dias não víamos em Paris. E percebemos que o dia clareia mais cedo em Budapeste. Vimos o sol nascendo às 7h. 

Começamos o dia visitando a Bazilika Szt. István, ou igreja de São Estevão. Uma das mais bonitas que já conhecemos!! Seu interior é de tirar o fôlego. Depois decidimos comprar tickets para o Sightseeing, ônibus turístico que passa pelos principais pontos da cidade e que permite saltar e pegar outro no decorrer de 24 horas. Os tickets incluiam também um passeio de barco pelo Danúbio. Acho que o ônibus é um jeito legal de entender como a cidade se distribui, as distâncias entre os pontos, etc. Nós fizemos o passeio completo e elegemos lugares para voltar depois. O único inconveniente é que o ônibus faz muitas paradas, tornando o passeio bem demorado. 

Depois do bus e do barco, foi a vez de bater perna novamente. Ficamos cerca de duas horas explorando a cidade no lado de Peste. Vimos o Mercado Central, um prédio magnífico, mas que infelizmente estava fechado; fomos caminhando pela Váci, que é um calçadão bem animado, com muito comércio, algumas praças e monumentos; passamos novamente pela feira de Natal e continuamos caminhando até o prédio do Parlamento, que é um espetáculo à parte. Não cansamos de fotografá-lo durante todo o dia, de vários pontos da cidade, ele é como um imã que atrai olhares e lentes por ser tão lindo. Há uma visita guiada para conhecê-lo por dentro, mas nós não a fizemos.

Interior da Igreja de Szt. István, ou São Estevão

Rio Danúbio à noite

Cidade vista da Citadella. Buda à esquerda e Peste à direita

Mercado Central

Prédio do Parlamento

Domingo, ao contrário do dia anterior, amanheceu e permaneceu cinza, fazendo jus ao clima outonal, mas pelo menos não choveu, deu para passar o dia inteiro batendo perna novamente. Começamos pelo lado de Buda. Saindo do hotel subimos a íngreme colina, empurrando o carrinho do Joaquim escada acima, até chegar no Mátyás Templon, ou igreja de Mathias. Um conjunto arquitetônico deslumbrante, com muitas torres, mosaicos, elementos decorativos, estátuas, etc. Além da construção em si, com ares medievais, que impressiona muito, lá de cima tem-se uma vista maravilhosa do Rio Danúbio e Peste. Ficamos um tempão admirando e fotografando tudo. Próximo dali está o Castelo de Buda, a construção imponente que mais se vê quando estamos às margens do Danúbio do lado de Peste. O Castelo abriga um museu com obras de artistas húngaros, moedas e relíquias, nós só conhecemos a parte externa. Dentre as coisas que nos chamaram bastante a atenção destaca-se uma fonte com a estátua de três crianças brincando com um peixe, linda!; e uma senhorinha tocando realejo perto do Castelo, ela era muito fofa, e aquele musiquinha enchendo o ar imprimia algo de surreal ao momento.

Mátyás Templon

Parlamento visto da Igreja Mathias

A empolgação diante da beleza da Igreja Mathias

A senhorinha e o realejo


Detalhe da fonte no Castelo de Buda

De lá, atravessamos a Ponte das Correntes e seguimos, à pezito, pela Avenida Andrássy, até a Praça dos Heróis. É uma pernada e tanto, mas vale a pena, pois passamos pela Ópera, e por diversas casas e palacetes que marcam uma época muito próspera da cidade, anterior ao comunismo. Nesta avenida também está o monumento da Cortina de Ferro, bem interessante. Junto à Praça dos Heróis está o Museu de Belas Artes onde havia uma exposição com obras de Bottero e Klimt, entre outras, os ingressos para nós dois sairia quase R$ 70,00, e ainda tinha tanto para ver da cidade... e Bottero e Klimt nem são húngaros... resolvemos aproveitar a estrutura do Museu: café, fraldário, toilettes, calorzinho, he he... e continuar nossa jornada.


Praça dos Heróis

Ópera


Monumento da Cortina de Ferro
Caminhando na Av. Andrássy

Av. Andrássy


Atrás da Praça dos Heróis está um lugar encantador e que nos foi uma grata surpresa, pois não sabíamos direito o que nos esperava. Trata-se do Parque Municipal Varosliget, uma grande área verde onde, entre outras coisas, está o Castelo de Vajdahunyad. Nós não sabíamos de sua existência, e foi super gostoso descobrir essa maravilha. O Castelo é lindo e junto a ele tem uma capela, e outra construção impressionante que abriga o Museu da Agricultura, além da estátua de Anonymus, uma homenagem ao autor, até hoje desconhecido, que foi o primerio a transpor a história da Hungria para uma obra literária. A estátua é linda e de dar arrepios!


Castelo de Vajdahunyad

Castelo de Vajdahunyad

Estátua de Anonymus

Caminhamos um pouco mais pelo parque enquanto tomávamos um vinho quente e sentamos à beira do lago para dar o lanchinho do Joaquim. Ele curtiu olhar os patinhos enquanto degustava sua papinha de fruta e víamos as luzes da cidade acendendo.

De lá pegamos um metrô, (o primeiro metrô da Europa Continental foi construído em Budapeste), e foi bem pitoresco, pois as estações são super antigas, algumas delas pareciam locação de filme de época. Descemos perto do calçadão da Váci e fomos fechar o dia na Feira de Natal, compramos uns enfeitinhos lindos entre outras coisinhas.

Última manhã em Budapeste, segunda-feira amanheceu chovendo. Que bom que foi no final! Não nos animamos a sair do hotel. Curtimos bem o café da manhã e ficamos de preguicinha até a hora de ir para o aeroporto.

Nós amamos conhecer Budapeste. Saímos muito com a sensação de quero mais, pois muita coisa do que tínhamos pesquisado não conseguimos ver ou fazer. Fica a pergunta, será que com tanto lugar no mundo para conhecer um dia ainda voltaremos à Budapeste? Se rolar vamos querer curtir os banhos termais, famosíssimos na cidade; queremos ver o Memento Parque, com estátuas do tempo do comunismo; vamos conhecer o prédio do Parlamento por dentro e vamos pra lá na primavera ou verão, para ver a cidade com outras cores.

Ah, e agora eu PRECISO ler o livro do Chico: Budapeste!

2o. dia - Departamento de Lot - Saint-Cirq Lapopie

O segundo dia amanheceu belíssimo e nós, em "nossa" casa de campo, no pequeno vilarejo de Lacave, tomamos um belo café da manhã trocando ideias com Anne-Marie, que havia voltado há poucos meses de suas férias pelo litoral da Bahia...
TDepois de um bom papo, pedimos algumas informações, e decidimos mesmo destinar o dia a Saint-Cirq Lapopie, uma cidadezinha localizada a cerca de 70 km.
Programamos o GPS para evitar estradas pedagiadas e para mergulharmos pelas rotas próximas da natureza. Tomamos a estrada sem pressa, decididos a deixar as paisagens nos conquistar. Nós, e os muitos ciclistas que percorrem a região turistando em duas rodas.



Ao passarmos por dentro de um pequeno vilarejo que tem uma ou duas ruas, não resistimos e paramos para algumas fotos. Com direito a ver rebanhos de ovelhas pastando na beira da estrada...



Poucos quilômetros a frente, novamente fomos surpreendidos e obrigados a parar. Encantados com a imagem abaixo, decidimos entrar na vila e deixar o carro pra uma caminhada. Sem ver quase ninguém nas ruazinhas e mesmo nas casas, nos sentíamos quase que em um filme, em uma cidade fantasma... ou mágica.


 Mais ao fundo, após o riacho e a ponte de pedras, uma estradinha com criações de ovelha, galinhas e coelhos.

A vontade de permanecer naquela beleza e serenidade era grande demais. Mas se tínhamos achado aquele lugarzinho pitoresco por acaso, talvez valesse mesmo a pena seguir até Saint-Cirq.


Assim, deixamos Saint-Martin de Vers pra trás. Vários quilômetros depois, entramos na cidade de Vers, com uma bela paisagem logo na entrada. Não nos detivemos pois além de visitar Saint-Cirq, a gente queria fazer o passeio de barco e tínhamos que descobrir exatamente onde embarcar e que horas haveria o passeio.

Passando por Vers
A partir dali fomos costeando o rio Lot, que dá nome ao departamento. Em Saint-Géry perguntamos sobre o passeio de barco e nos informaram que ele partia de Bouziès, um pouco mais adiante.

Costeando o rio Lot, seguindo em direção a Bouziès e Saint-Cirq Lapopie
Encontramos o local e decidimos, pelo horário, visitar primeiro Saint-Cirq e depois fazer o passeio de barco. Subimos então de carro e fomos desbravar o belíssimo vilarejo no alto de uma falésia, à beira do rio.
A cidade é um portal no tempo com suas construções medievais datadas desde o século XIII. Cheia de história e mitos, dali pode-se dar início à peregrinação pelo caminho de Santiago de Compostela (Espanha). Logo que chegamos, procuramos o escritório de turismo pra conseguir um mapa da cidade e informações sobre o local. (http://www.saint-cirqlapopie.com/)
Vista do alto com o mapa da cidade.


Subir e descer em Saint-Cirq - inevitável. 

 A beleza dos detalhes... Por toda cidade, em cada ângulo.
Saint-Cirq Lapopie recebeu o selo "Les plus beaux villages de France" [As mais belas vilas da França] atribuídos às vilas mais impressionantes da França. E pode ter certeza. Se tem o selo, é imperdível! Pode conferir a lista aqui: http://www.les-plus-beaux-villages-de-france.org/fr


Vendo o rio Lot do mirante de Saint-Cirq-Lapopie


Nosso almoço foi um belo piquenique ali mesmo, contemplando os telhados da cidade. Depois de babar por toda cidade e fotografar muito, de olho no relógio (íamos pegar o barco das 15h30) fomos pro passeio de barco (www.lot-croisieres.com).


O passeio guiado fornece informações sobre a região e sua história. Leva cerca de uma hora em um rio calmo, num passeio tranquilo, passando também por uma pequeno canal com eclusa.
Saint-Cirq Lapopie visto desde o rio.

Château des Anglais, pertinho de Bouziès.
Como o dia ainda estava rendendo, resolvemos dar estender o passeio até Cahors. Capital do departamento, famosa produtora de vinho, chegamos na cidade sem saber muito a respeito dela. Mas sobre a famosa ponte a gente tinha informação. Então começamos circulando a cidade de carro até encontrá-la. 

Daí seguimos perambulando pela cidade. Final de tarde, terminamos tomando uma taça de vinho branco bem gelado pra celebrar o fim de tarde de sol.


Perambular pela ponte, que beleza. Mas sabe aquelas ideias que você tem e depois se pergunta: que tô fazendo aqui? rsrsr isso que dá subir no alto de uma escada sem corrimão dos dois lados. Mas tudo bem. Pernas bambas mas sobrevivemos intactos. Prontos pra outra!

Videiras à margem do rio Lot.

Pelas ruas estreitas do centro medieval de Cahors.

Sol de fim de dia (lá pelas 21h...) dourando a velha arquitetura.
Findado o dia, pegamos rumo noite a dentro para nossa casa de campo Le Capistan, em Lacave.





Com certeza, não aproveitamos Cahors em sua melhor possibilidade. Mas, como dizemos, "fica pra volta!"
Dois vídeos de onde andamos hoje:
a) Cahors
b) a região de Saint-Cirq Lapopie

1º dia - Departamento do Lot - França

Morando novamente em Paris por alguns meses em 2012, ficamos super empolgados em visitar uma pequena cidade em especial, depois de vermos uma foto no blog Pedalando em Paris. A imagem de Rocamadour nos impressionou tanto, que pensamos que deveríamos aproveitar a oportunidade de estar "perto", na França, e ir pessoalmente conferir o local.


Até começar a descrever esta viagem aqui no blog não sabia como chamar a região onde estivemos, pois ela (feliz ou infelizmente) não faz parte dos roteiros mais badalados para viagens de carro na Europa. Mas se você quiser uma dica de um roteiro muito bacana (que não perde em nada para um circuito de carro pela Toscana, na Itália, ou mesmo na Provença, sul da França), aproveite aqui algumas deixas... há muito mais por desbravar por lá do que conseguimos realizar.

Por fim, resolvi chamar esta viagem de Departamento do Lot (que tem esse nome por causa do rio Lot), pois estivemos na maior parte do tempo dentro deste estado francês. Pensei também em dar o nome de Parc naturel régional des Causses du Quercy, pelo fato desse parque ocupar boa parte do estado de Lot (que estão dentro da Região do Midi Pyrénées), mas vendo mapas, percebi que estivemos em alguns lugares que não estão situados no parque "oficialmente", mas se enquadram dentro do Vallée de la Dordogne. Bom, ficam estas duas dicas de pesquisa: http://www.parc-causses-du-quercy.fr e http://www.vallee-de-la-dordogne.fr .


1º dia - relato de viagem

Decidimos ir de Paris até Rocamadour. Começamos a pesquisar passagem de trem pois vimos que seriam cerca de 450 km até lá, então pensamos em ir de trem e lá alugar um carro pra percorrer a região. Percebemos que para Rocamadour teríamos que trocar de trem, sendo assim, decidimos ir até uma cidade maior onde não precisássemos fazer conexão e ali alugar um carro. A cidade onde deveríamos fazer a conexão de trem seria em Brive-la-Galliard. Então compramos o trem até lá e reservamos um carro com a Avis.

Decidimos fazer a carteirinha Enfant + da SNCF que nos oferecia algumas vantagens que achamos que compensaria os 71 euros investidos. Como iríamos fazer mais viagens de trem pela França, o investimento se pagaria com certeza, agregando maior conforto e nossas viagens. Com a carteirinha, a criança até 4 anos, quando viaja tem direito a um assento gratuito para si e possibilita descontos na passagem de trem para até 4 adultos (não precisam ser parentes da criança) de 25 a 50% no valor das passagens nos trens Intercités e TGV. Além disso, por convênio com a Avis, na locação de carro na ocasião da viagem, dá direito a aluguel gratuito da cadeirinha além de um desconto nas diárias. A SNCF oferece alguns trens com vagão especial para pessoas acompanhadas de crianças, que pudemos usufruir na viagem de volta.
Trem (3 assentos) = 60 euros ida
Carro = 144 euros + 10 euros de GPS por dia (4 diárias)

Calculamos o tempo pra chegar de metrô até a Gare d'Auterlitz, mas acabamos demorando mais do que calculamos caminhando até a estação de metrô. Resultado: desembarcamos na plataforma às 8h54. Nosso trem era às 8h58. Não sabíamos nem como ir da plataforma do metrô até a estação de trem, que na realidade, viemos a descobrir, é colada (achamos que era integrado), mas é preciso sair e entrar novamente na estação. Corremos feito loucos, chovia na hora, pegamos chuva, ainda precisávamos descobrir qual a plataforma do trem pelo painel eletrônico, validar os bilhetes antes do embarque. E já ouviram falar que o trem não espera? Pura verdade. Com 4 minutos pra fazer tudo isso, nosso destino já estava praticamente traçado. Exceto... se o trem estiver vindo de outra cidade e atrasar. Nossa salvação! O trem teve um atraso de quase 1 hora, azar de uns, sorte de outros...


Pesquisamos hotéis em Rocamadour e percebemos que há poucas ofertas na cidade. Começamos então a procurar por Chambres d'Hôtes, que é um tipo de hospedagem semelhante aos Beds & Breakfest, ou seja, são como pousadas domiciliares, onde você se hospeda na casa de uma pessoa. A estrutura normalmente é de uma pousada: quarto com banheiro, café da manhã, muitas vezes entrada independente, algum ambiente de estar comum (sala, biblioteca, varia muito). São estabelecimentos de atividade turística que deve atender várias normas da legislação, como por exemplo, ter o limite máximo de receber 15 pessoas, o que torna sua estadia muita mais pessoal e inserida na localidade, no contato direto com moradores. Uma das grandes vantagens, além de ter contato atencioso, é poder ficar em áreas muitas vezes consideradas rurais, em contato grande com a natureza, e por isso, ter também espaço gratuito de estacionamento. Além de preços normalmente menores que hotéis, o café da manhã é incluído da diária - o que normalmente não acontece em hotéis na França. Procurando aleatoriamente na internet, nos deparamos com o site do Le Caspitanlocalizado num pequenino vilarejo chamado Lacave, há 11 km de Rocamadour. Como pretendíamos passear por vários lugares na região, estava perfeito. Pagamos 55 euros a diárias, com café da manhã e berço gratuito. Não aceita cartões de crédito, check-in a partir das 16h e check-out até às 11h - pra nós estes horários estavam perfeitos. Anne-Marie fala além do francês, claro, inglês e espanhol. Nos deu muitas dicas de vilarejos bacanas na região.


Depois de 5 horas de trem até Brive (das quais Joaquim dormiu mais de 4), pegamos o carro e vimos que ainda estava cedo, pois havíamos passado a previsão de chegarmos as 16h30 na pousada. Fomos então até o centro de Brive, no Office de Tourisme pra pegar informações e mapas da região. Dirigimos por cerca de 45 km, cerca de 50 minutos até Lacave. Optamos por evitar pedágio da A20 e pegar estradas secundárias, que tem termos de tempo e quilometragem, dava praticamente no mesmo. Mas em questão de passeio e paisagem, ganharíamos muito.




Mapa indica a localização de Brive (A), Lacave (B) e Rocamadour (C)

Quase chegando a Lacave, passamos por uma ponte e tivemos que dar meia volta pra ver novamente um castelo na margem do rio. Paramos, demos uma caminhadinha pelo mato pra ver mais de perto.





Recém instalados em um quarto super amplo com banheiro enorme, entramos no carro e reprogramamos o GPS para Rocamadour. Mesmo com muitas placas indicando as vilas e cidades da região e informando a distância, sempre saímos com o GPS que, embora às vezes ofereça opções de caminho com alguns erros (mapas desatualizados, obras inesperadas na pista, etc), ele sempre oferece uma segurança de chegarmos em algum lugar e nos deixa mais livres para nos perdermos por qualquer estradinha que nos atraia.



 

Chegamos em Rocamadour rapidamente depois de percorrer estradinhas bucólicas (sempre asfaltadas), cercadas de muito verde e flores na beira da estrada, de margaridinhas, a dentes-de-leão amarelos e papoulas vermelhas. O Office de Tourisme já estava fechado então teríamos que voltar lá no outro dia pra pegar mapas e folhetos. Aproveitamos então pra umas fotos na Chapelle et Hôpital Saint-Jean que fica em frente, na parte alta de Rocamadour.




Fomos a um mercado comprar um estoque de água e algum lanche. O sol já começava a se pôr (nessa época, começo de maio, escurece plenamente depois das 21h30 - ainda eram 19h) deixando a cidade de Rocamadour com sombra. Como era nossa visita preliminar na cidade, sabíamos que deveríamos voltar de manhã pra ter uma boa iluminação frontal para as fotos.


 






Decidimos percorrer a cidade pela estrada de baixo até chegar ao outro lado do vale e assim ter visto Rocamadour de todos os ângulos externos. 



Muitas fotos e de repente vimos um balão sendo inflado no campo em frente a cidade.Fotos, filmagens, ficamos super empolgados, desejando ser nós a voarmos pela região.

 

Deixamos o carro no estacionamento debaixo e subimos algumas escadas até dentro da cidade. Dia findando, a rua principal já estava meio vazia. É um lugar mesmo impressionante, uma viagem no tempo, e uma experiência de verticalidade e vertigem arquitetural.


Porta de Salomão. Curti a cabine telefônica na torre...

Caminhando pela cidade quase vazia, as escadas e portas nos chamavam. Subimos a Escada dos peregrinos com seus 216 degraus... Carregamos nosso filho até onde deu... A foto abaixo tiramos depois de entrar nesta portinha. Molduras da própria arquitetura!




Por algum motivo se diz que Rocamadour é um local de vertigens.
 Mortos de fome, paramos em um restaurante que tem vista para a cidade. A noite caiu e a cidade se iluminou - lindo demais. Aline escolheu um crepe e eu um prato com produtos típicos da região, como o foies gras, salada com moela de pato e nozes. E vinho, claro.

 
Chegamos no hotel exaustos. Quarto muito limpo, camas super confortáveis, banho quentinho. Durante o dia a temperatura chegou a 35 graus. Escolhemos uma boa época e pegamos um clima muito bom.