Mostrando postagens com marcador viagem com bebês. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagem com bebês. Mostrar todas as postagens

Viagens inspiradas

Outro dia filhote tinha uma tarefa da escola sobre Diários de Viagem. Pense numa mãe e num pai empolgados com a tarefa!! Lá fomos nós remexer na caixa de memórias!! Literalmente, pois temos uma caixa-baú com mapas, tickets de viagem e diários, muitos diários com registros de nossas aventuras. 

Diários de viagens

Foi uma delícia viajar no tempo e, entre tantas memórias, lembrar de uma "categoria" de viagem que meio que inventamos pra nós - as Viagens Inspiradas... vou explicar.

Nosso primeiro mochilão internacional aconteceu no ano de 2001. Lembro até hoje das emoções: a compra das passagens online, que chegaram pelo correio!!! Aquele envelope estiloso com os bilhetes em papel cartão...; a definição do roteiro e compra das passagens de trem para percorrer a Europa em 28 dias; a dúvida entre fazer reservas nos Hostels com antecedência ou viver a vida loca... obrigada ao amigo Hialmar, por nos aconselhar a fazer pelo menos parte das reservas!...

Mas de todas as lembranças dos preparativos para a viagem tem uma em especial que me aquece o coração. Naquela época a internet ainda não era tão presente em nossas vidas, nós até compramos as passagens e fizemos algumas reservas online mas, para dar uma ideia mais concreta: viajamos com máquina fotográfica analógica e 10 rolos de filme de 36 poses; levamos um Discman e um case com 20 CD´s para garantir música durante os trajetos; não tínhamos celular e pagamos pequenas fortunas para ligar para nossas famílias pelo menos uma vez no meio da viagem; carregamos um mapa mundi todo dobradinho onde marcamos nosso itinerário com canetão conforme ele ia acontecendo e, agora vem a memória de aquecer o coração: 

"Antes da partida, visitamos alguns sebos e compramos várias revistas de viagem com matérias sobre os destinos que estavam em nossos planos, para pesquisar e planejar o que ver e o que fazer em cada etapa da viagem"

Foi incrível!! Passamos algumas noites no chão da nossa sala, rodeados de edições já lidas e folheadas da Viagem&Turismo, Minha Viagem, entre outras, lendo sobre Paris, Veneza, Roma, Barcelona, etc... e nosso caderninho, onde anotávamos avidamente as dicas, segredos e informações sobre tudo e mais um pouco. Nossa viagem começou aí!! 

E foi quando nasceu nossa categoria de "Viagens Inspiradas". Folheando aquelas revistas, nos inspiramos muito em fotos de lugares que sequer imaginávamos que existissem! E outras de lugares clássicos que precisávamos ver com nossos próprios olhos e lentes.


A inspiração

Uma das primeiras fotos inspiradoras que eu me lembro foi de uma matéria sobre os pueblos blancos, na região da Andalucia, Espanha. Vimos uma capa de revista com a foto do carro da equipe de reportagem parado em uma estradinha de terra com o pueblo de Arcos de la Frontera ao fundo, no alto de um penhasco. Decidimos que queríamos "viver" aquela foto, aquele lugar. 

Entre a inspiração e o evento correram alguns anos, mas fizemos acontecer!! E essa é a nossa versão da foto que vimos na capa da revista:

Conhecer o lugar foi incrível! E procurar o ponto exato da foto foi muito divertido!!!


A experiência: Na virada de 2010 para 2011 fizemos uma viagem de carro percorrendo Portugal e Espanha. Incluímos essa passada pelo pueblos blancos, em busca da foto de capa de revista.


A inspiração

Ao pesquisar sobre a Andalucia vimos outra foto que fez nossos olhinhos brilharem! Uma ponte construída no século XVIII que divide a cidade de Ronda entre a parte antiga e "nova", e que ficava em nosso caminho para a cidade de Málaga! Claro que decidimos ir lá fazer nossa própria foto desse lugar incrível!!!

A incrível geografia de cidade de Ronda, Espanha.


A experiência: Passamos por Ronda no final do dia, vimos um pôr-do-sol inesquecível, caminhamos um pouco pela ponte, centrinho antigo e ficamos com muita vontade de ficar um pouco mais, mas já tínhamos reserva de hotel no próximo destino, então este foi um dos tantos lugarzinhos da vida que deixou aquele gostinho de "quero mais"!


A inspiração

Em uma dessas revistas compradas no sebo havia uma matéria sobre uma viagem de carro pela região da Toscana, na Itália. Era algo inimaginável para nós na época, recém-casados, ainda estudantes, nem carro tínhamos no Brasil!! Tudo bem que estávamos realizando o sonho de mochilar na Europa, mas daí para alugar um carro por lá ainda tinha um chão para percorrer... e percorremos! 
10 anos depois de ver aquela matéria na revista estávamos nós dirigindo e desbravando a Toscana.



O relato completo dessa aventura começa AQUI, é só ir clicando em "Postagem mais recente" ao final de cada post para seguir a linha do tempo ;)


A experiência: Percorrer a Toscana de carro é algo "apenas" mágico. É como dirigir em meio a pinturas e cenários de filmes. Nós começamos a viagem parando em cada curva onde víamos meia dúzia de girassóis, sem saber que a paisagem se encheria cada vez mais deles!!!



Um "mal" do qual sempre sofremos é o de querer fazer render todas as nossas viagens. Não é nem porque a gente acha que nunca mais vai voltar e precisa aproveitar. Acho que é justamente porque a gente sempre acha que vai voltar, então achamos melhor ter um panorama geral na primeira vez, rsssss... Essa nossa primeira viagem de carro pela Itália, acabou abrangendo as regiões da Ligúria, Toscana e Úmbria


A inspiração

A região da Úmbria entrou no roteiro por conta de uma foto que vimos, e nos apaixonamos, da Civitá de Bagnoregio. Uma cidadela medieval no topo de uma montanha cujo único acesso é uma passarela para pedestres. 



A experiência: Quando vimos a foto deste lugar nos pareceu surreal, impossível que isso existisse ainda em nossos dias.... precisamos ir até lá para conferir! Além desta foto que fizemos a partir do estacionamento, fizemos inúmeras outras a medida em que percorríamos a passarela empurrando o carrinho com o bebezão Joaquim ladeira acima!! E a falta de fôlego valeu a pena!

Explorando a Civitá di Bangnoregio


A vontade de dirigir por estradinhas charmosas e apaixonantes da Europa despontou em nós ao lermos  aquela matéria da revista do sebo sobre os caminhos da Toscana. Mas nossa primeira experiência de fato aconteceu na França, quase um ano antes dessa viagem incrível pela Itália e nove anos depois de ler a matéria inspiradora na revista. 


A inspiração

Dessa vez não foi a foto que veio primeiro. Morávamos já há quase três meses em Paris e ainda não tínhamos colocado o pé na estrada, algo que havíamos nos proposto fazer no período de um ano de moradia na França por conta dos estudos de Ismael. Até que um final de semana resolvemos aproveitar uma promoção de aluguel de carros e pegamos um carango. Com o carro garantido faltava definir o destino. Conversando com amigos do curso de francês, surgiram dicas como as praias da Normandia, Vale do Loire e Mont-Saint-Michel. Pesquisando na web, deu vontade de ir aos três destinos, mas as fotos de Saint-Michel nos hipnotizaram. Que loucura é esse lugar que muda incrivelmente de acordo com a maré!!


Conforme nos aproximávamos do monte, as fotos ficavam melhores e mais hipnotizantes!




A experiência: O relato dessa viagem memorável está AQUI. Foi realmente especial!! Desde a experiência inédita de carregar Joaquim no pano como uma mochilinha nas costas, percorrer as ruelas do vilarejo, até a vivência transcendental de assistir uma missa dentro da Abadia. Foi lindo demais!

Já na era das redes sociais, lá em 2012, mais um destino surgiu em nossa lista de desejos totalmente motivado por uma foto. Uma amiga nossa, que mora na França, curtiu uma foto postada por outro alguém, de uma cidade medieval agarrada a uma falésia... absurdamente lindo!!!


A inspiração


Lembro até hoje de Ismael me mostrando a foto, nossos dois queixos caídos... resolvemos pesquisar. Descobrimos a encantadora comuna de Rocamadour - roc amator, amante das rochas. Não demorou muito e pegamos o trem!

Claro que fizemos nossos próprios registros, precisávamos ver para crer!!

É lindo demais, de noite e de dia...

De perto e de longe...




Em nossas andanças de carro volta e meia víamos ciclistas percorrendo trajetos entre uma cidade e outra. Nessa viagem para Rocamadour, numa das tantas paradas no mirante para admirar a cidade "pendurada nas rochas" nos deparamos com um grupo de terceira idade fazendo turismo de bike. Talvez motivados pela ideia de que, se a terceira idade pode, nós, meros mortais sedentários talvez também possamos... Foi a primeira vez que pensamos: "opa! tá aí uma ideia!!!". 

Essa inspiração rendeu! E o relato da nossa aventura de bike pelo Vale do Loire, em 2017, está AQUI.
(é só ir clicando em "Postagem mais recente" ao final de cada post para seguir a linha do tempo ;)

Que a vida, as fotos, os artigos e relatos sigam nos inspirando sempre!!

FRANÇA - Mont Saint-Michel (primeira experiência de carro na Europa)

Quando fomos morar em Paris por um ano, em 2010-2011, tínhamos o desejo de viajar muito pela Europa. Já estávamos há quase dois meses e era grande a vontade de dar uma fugidinha de Paris em um final de semana, para começar a explorar a "vizinhança". Um dos problemas era escolher o destino - as opções são muitas!!! 

Algumas vezes, quando chegava a sexta-feira, a gente se olhava e via que estava em cima da hora pra resolver algo. Até que finalmente tomamos uma atitude: alugamos um carro por um final de semana. Fuxicando pela internet, vimos uma promoção de locação de carro por 3 dias no final de semana. Preenchemos o cadastro e, quase num susto, decidimos viajar. Então só precisávamos decidir o destino. 

Pensamos em três opções: o Vale do Loire; as praias do desembarque, na Normandia; ou Mont Saint-Michel. Queríamos os três lugares, mas consultando alguns colegas franceses de meu curso, nos desaconselharam "tentar" tudo isso em apenas 3 dias... Desejo de brasileiro de querer fazer caber tudo em uma única viagem, eita nós!! Daí que resolvemos ir a Mont Saint-Michel. 

A gente nunca tinha ouvido falar em Mont Saint-Michel, desculpe aí... Foi uma amiga brasileira que estava de férias em Paris e que veio nos visitar pouco antes de nossa decisão que nos falou deste lugar mágico. Ficamos curiosos depois da visita (ela estava lamentando que não iria conseguir ir a Saint-Michel durante suas férias na França...) e fomos dar uma pesquisada na internet, descobrimos que é o segundo lugar mais visitado da França, depois de Paris! U-la-lá!! Logo as primeiras imagens já nos fascinaram.

Esta curta viagem começou cheia de emoções. Sobrevivemos a todas então só restam histórias bonitas pra contar.

Aline foi sozinha de metrô buscar o carro. Nunca, em trocentos anos de direção no Brasil, foi parada pela polícia. E em Paris, dirigindo há apenas 5 minutos, se viu perseguida pelo carro da guarda municipal fazendo sinal para parar. Tranquila e sem pânico, encostou o carro meio que rindo e pensando "ai, ai, lá vamos nós!". Entre várias coisas que o policial - muito gentil e educado  - falou, foi "feu rouge" (ou algo que o valha), o que aos nossos ouvidos brasileiros soa como "ferrugem".  "Será que tem alguma ferrugem na lataria do carro!?!?!?!". Alguns segundos depois o botãozinho do francês foi ligado e ficou mais claro: rouge=vermelho... sinal vermelho!! Só podia ser... e era. 

Com cara de constrangida e enquanto mostrava passaporte, licença internacional para dirigir, carteira de habilitação e recibo de aluguel do carro, foi explicando, como dava, que era a primeira vez que dirigia em Paris e que havia acabado de pegar o carro na locadora. Convencido, o guardinha foi super gente fina e só falou para prestar mais atenção - "Bien sûr, monsieur!!!" (Com certeza, senhor!!). E o segredo todo é esse, atenção, não dá pra ter pressa no trânsito em Paris, pois pedestres SEMPRE tem preferência, assim como as bicicletas. Então é preciso ter vários pares de olhos atentos em todas as direções. Outra coisa é que o sinal amarelo praticamente não existe, entre o verde e o vermelho, tem uma piscadela amarela, então não é como no Brasil - "ah, ainda dá tempo..." - não dá.

Esta foi a PRIMEIRA "emoção do dia": 


Chegando em nosso apê, carregamos o carro, um Panda, da Fiat, super compacto e uma gracinha. Fizemos uma ginástica pra ajeitar a cadeirinha de Joaquim, programamos o GPS (era a primeira vez que a gente via e usava um na vida e a mocinha da agência não fez muita questão de explicar como funcionava...) e saímos pras bandas de Mont Saint-Michel sem saber exatamente onde dormiríamos. 

Bem, depois do carro carregado, saímos do 15º arroundissement, onde morávamos. Andamos quase dois quilômetros por Paris, fizemos algumas curvas, passamos pela pela ponte de Mirabeau, sobre o rio Sena, até que dois carros começaram a buzinar pra gente num semáforo. Aline ficou indignada: "que foi agora?! O sinal tá fechado!". O sinal abriu e um cara passou fazendo sinal. Desci pra ver a traseira do carro... sei lá, vai que ficou uma porta meio aberta? Mas qual o quê: era "apenas" o notebook que eu havia deixado sem capa nem mochila em cima do carro, enquanto ajeitava a bagagem... Jisuis... toda minha vida ali, tomando um ar puro sob o céu de Paris... santas borrachinhas que não deixam o notebook ficar dançando em cima da mesa, neste caso, em cima do carro! Essa foi apenas a SEGUNDA "emoção do dia".

Havíamos programado o GPS pra fazer o caminho mais curto, o que não corresponde necessariamente ao mais rápido, já que pega estradas secundárias e com limite de velocidade menor. Adoramos! Fomos sendo guiados pra fora de Paris e de repente, a TERCEIRA "emoção do dia": demos de cara com o Palácio de Versailles, assim, de repente, sem esperar. A gente esteve lá fazia poucas semanas, mas não esperava encontrá-lo assim, sem querer..rsrs Passamos na frente e contornamos a lateral dos jardins, super radiantes.



O GPS foi nos levando e, de tempos em tempos, mandava a gente entrar numas ruinhas secundárias da estrada. Daí descobríamos umas vilas pequenas e simpáticas de uma França diferente do que conhecemos até hoje. Várias emoções no dia. 



Ah, os primeiros campos amarelos de canola...
Seguimos caminho, a viagem foi ficando longa, então programamos o GPS pra fazer o caminho mais rápido, o que significaria não entrar em tantas ruelas. Mas é impossível... O caminho mais adiante estava repleto de pequenas cidades e vilas com casas de pedras, lindas demais.


No caminho fui lendo para nós informações sobre o Mont Saint-Michel (o motivo de eu ter deixado o notebook à mão...). Lemos um relato lindo e emocionante de uma pessoa que visitou Saint-Michel e ficamos conversando sobre como essa viagem era simbólica pra nós também.
Na estrada tinha uma placa. E no alto, uma cidade: Ville de Domfront.


Já na estrada, ainda não sabíamos exatamente onde domiríamos àquela noite - e chegaríamos a noite, pois a viagem já estava tomando mais horas do que planejamos. Como Saint-Michel é pequenina e os hotéis costumam estar lotados, vimos recomendações de hospedagem em PORTONSON, uma vila próxima. Joaquim começou a ficar cansado das quase 7 horas no carro (a volta levou 3 horas apenas...). 

Em algum lugar, num relato de viagem, alguém falou de uma cidadezinha legal, AVRANCHES, e resolvemos, quase no trevo, dormir lá. Chegamos na cidade, sem conhecer nada, e começamos a procurar um Ibis, por ter ideia de preço e padrão. Por fim, ficava fora da cidade e perguntamos em um hotel mais no centro o valor da diária: 114 euros - sem café. Ahhhhhh!!! Ao lado, outro hotel que achamos meio chulézinho, mas... Perguntamos lá: 48 euros! Pedimos pra ver o quarto: todo limpinho, espaçoso e colocariam berço pra bebê. Nos instalamos e resolvemos ficar as duas noites. Mais uma emoção no dia: ficando duas noites, cada uma passava a ser 40 euros por noite. Ueba!

Ficamos então no Hotel Patton, em Avranches. Hotel pequeno, bem aconchegante, com berço para bebê, cadeirão confortável no café da manhã, aqueceram sopa pro Joaquim, guardaram coisas na geladeira (não tinha frigobar no quarto), cama confortável, banheira e chuveiro, tudo muito limpo. Ficamos no segundo andar (tem 3), com elevador. O que mais alguém viajando com um bebê de 11 meses poderia querer?

Na manhã seguinte, nos arrumamos, tomamos um café da manhã super gostoso (6 euros pra cada) e tinha até itens pro Joaquim, como banana, maça, uns potinhos de um purê delicioso e suave de maçã, iogurte e, claro, baguete.

Saímos com nosso super GPS. De Avranches a Saint-Michel são aproximadamente 30 km. J
á na estrada avistamos de surpresa le Mont Saint-Michel. Aliás, ver o Monte de longe é possível de diversos pontos... quando estávamos indo, faltavam ainda mais de 10 Km para chegar e já estávamos sendo acompanhados pela imponente presença da edificação, que ia ficando cada vez maior e mais impressionante. É de emocionar. 



Lindo demais! Quanto mais nos aproximávamos, mais fotos queríamos tirar. Foi fantástico. 



Estacionamos o carro e enquanto nos arrumávamos pra desbravar o monte, um casal mais adiante estava ajeitando o bebê no sling nas costas. Achamos a idéia ótima e amarramos Joaquim pela primeira vez nas costas (super aprovado!). Pois se tem uma coisa que não é nada prática em Saint-Michel é carrinho de bebê, pois tem muitas escadas o tempo todo. Joaquim amarrado, todos prontos e lá fomos nós, chegando pouco a pouco perto da maravilha.




Entramos nas muralhas, passamos as casinhas e poucas ruas medievais, fotos, fotos, paisagens fantásticas. 



No canto esquerdo se vê a placa de La Mère Poulard que ser um omelete famoso há séculos. Não fomos... turístico demais pro nosso perfil.
Logo na entrada, encontramos o vilarejo que consiste em lojas e restaurantes, comércio que provavelmente já existia na época de origem, mas provavelmente, ao invés de souvenirs e comida típica, eram vendidos tripa de porco e pelego de ovelha. Soubemos que mais ou menos 40 pessoas ainda moram dentro das muralhas, e há também alguns hotéis ali.
Dá pra ver informações aqui, no site oficial.

Joaquim dormiu, como sempre. E bem aconchegado às costas da mamãe. Diversos casais com filhos e com bebês andavam por lá, alguns de sling, outros em cangurus. Sobe, sobe, sobe mais... De repente você lembra que tudo aquilo começou a ser construído em 708, há mais de 1.300 anos atrás. 


Muita história... e a paisagem que se vê de lá de cima é incrível.


Muitas coisas sobre o lugar impressionam: lá ocorre uma das marés mais altas do mundo. Na maré baixa, a distância entre o Monte e o mar chega a 18km. Dizem que é por isto que a cidadela murada nunca foi invadida por inimigos e por isto ela foi mantida por todos estes séculos intacta.
Informações no audioguia (não é celular, não!)
 

Um dos programas é caminhar pela areia. Mas somente pessoas acompanhadas por guias é que podem ir.
Não tivemos sorte em ver o show da maré. Consultando a tábua de marés, pode-se verificar os dias onde se vê o galopar veloz da maré subindo e descendo, cobrindo e descobrindo esse areal todo.

Mont Saint-Michel é um local de peregrinação religiosa. Além do pequeno vilarejo intramuros, existe a abadia que ocupa a maior parte do monte. Paga-se pra visitar. E pague! É maravilhoso conhecer as diversas instalações. Com um audioguia, o passeio fica ainda mais bacana. E é bom preparar suas pernas. Escadas não faltam!




Ao chegarmos na igreja, vimos que uma missa estava em andamento. Todos os dias, às 12h15 tem missa aberta a todos. Quando entramos, monges e freiras estavam entoando um cântico gregoriano que ressoava naquela imensidão. É indescritível a emoção de ouvir a música ressoando pelas paredes de pedra, intercalada com silêncios, enquanto a luz do sol entra pelos vitrais marcando o ar esfumaçado. A fala pausada do padre, toda movimentação do clero... fantástico, repleto da presença serena de Deus. Foi um momento mágico para cada um de nós que não esqueceremos jamais!



Dentro da igreja.
Detalhes das gárgulas da abadia.
Conhecemos Saint-Michel num dia bom, o movimento de turistas era contido, não estava abarrotado de gente, pudemos caminhar tranquilamente nas ruinhas estreitas. Com exceção dos grupos de excursão, que quando chegavam iam dominando todos os espaços, e nós fugíamos rapidinho.
No "fogão" da cozinha da abadia.

No claustro.
São muitos ambientes, cheios de tempo e história. Janelas e portas, luzes e sombras. Uma viagem no tempo.

Em uma espécie de galeria de arte sacra, de memória arquitetônica do local, encontramos uma cópia em tamanho idêntico ao arcanjo São Miguel que fica no topo da abadia.
Medieval?

Um flagrante do tempo. Olhando pro alto, pro Saint-Michel, vimos um avião cruzando o céu imensamente azul.
O dia foi maravilhoso. Perambulamos mais um pouco pela vila, pra mais muitas fotos. Alguns museus nós não visitamos, tudo em torno dos temas medievais e religiosos. 


Olha São Miguel lá no alto!
Tínhamos lido também sobre outra cidade, alguns quilômetros adiante, Saint Malo, e resolvemos dirigir até lá pra aproveitar o resto do dia. 



Chegando lá, logo procuramos a cidade antiga, murada. Andamos pelas muralhas e ruas da cidade medieval e vimos o dia findando.




É possível dar a volta inteira na cidade por cima das muralhas. Bela vista da cidade e do mar.

 



Também circulamos pelas ruelas e aproveitamos pra fazer um lanchinho. Saint-Malo está na Alta Normandia e Avranches na Baixa Normandia. Saint-Michel tá li, pelo meio. A região é conhecida pela produção de cidra e suas comidas típicas. Os detalhes aqui e ali sempre nos encantamm


Já escuro, voltamos os mais ou menos 70 km até nosso hotel. Ainda demos uma voltinha por Avranches pra comer uma pizza. Domingo a noite, clima silencioso por toda parte.



Na manhã seguinte, demos uma volta por Avranches, mais fotos, muito frio. O lugar é bonito, mas depois de Saint-Michel, tudo fica ofuscado.


Dia amanhecendo. Vista da janela do quarto do hotel.

Belíssima catedral de Avranches.

As gárgulas são fascinantes.

Ruínas de um castelo.
 Há um parque bem simpático em Avranches de onde se tem uma vista fantástica de Mont Saint-Michel.


Prontos pra voltar a Paris, ainda tivemos mais uma emoção.

Outra aventura em relação ao carro foi abastecer. Primeiro porque teríamos que descobrir como se faz, uma vez que aqui os postos são self-service, no melhor estilo "se vira, camarada!!". Pegamos o carro na locadora e saímos de Paris com o tanque cheio. Fizemos todo o passeio e no domingo, antes de pegar a estrada de volta o marcador indicava que estava entrando na reserva, até aí estávamos bem tranquilos. O stress começou quando, saindo de Avranches, paramos num posto e a bomba estava com um aviso hors de service (fora de serviço). Pensamos que seria melhor voltar e encontrar um posto na cidade, pois sabe-se lá a que distância seria o próximo posto na estrada. Voltamos. Estivemos em três postos e nada... nos ocorreu que poderia ter algo a ver com a tal greve e crise que a França estava enfrentando, e aí?!?!?! 

Continuamos nossa busca... graças a Deus achamos a essence 95 sans plumb (gasolina 95 sem chumbo), que era o que precisávamos. Enchemos o tanque e pegamos a estrada. 

A viagem de volta foi tranquila, para nosso alívio os pedágios funcionam como no Brasil, com uma pessoinha para receber o dinheiro. 

Mas outro stress começou chegando em Paris. Nós teríamos que devolver o carro com o tanque cheio, para não pagar o absurdo que eles cobram na locadora pelo litro da gasolina. Fomos ao posto mais próximo de casa, dando a viagem por encerrada, era só encher o tanque e pronto... ledo engano! Hors de service... foi o aviso que lemos em outros tantos postos que encontramos... até que encontramos um posto com combustível, nem tão longe de casa... ufa! Mas como ainda não tínhamos pego a manha de encher o tanque, ao sair do posto vimos que o marcador indicava o tanque "quase" cheio, mas não totalmente... E não é que o carinha da locadora, na hora da devolução, queria cobrar a diferença!?! 

Contra-argumentamos dizendo que foi muito difícil encontrar combustível, que tivemos que rodar muito e coisa e tal... por fim, ele foi camarada e não cobrou. Mas tivemos uma noção de como a situação estava crítica quando, enquanto aguardávamos para fazer a devolução do carro, vimos um cara saindo meio indignado porque estava alugando um carro com o tanque quase vazio e não tinha a mínima ideia de onde encontraria combustível... e o mocinho da agência não sabia o que dizer... 

Depois lemos que quase dois mil postos na França estavam sem combustível naqueles dias. As refinarias de petróleo aderiram à grave contra a reforma no sistema de aposentadoria que estava sofrendo uma reforma no país. O caos estava feito. Saímos respirando aliviados por termos devolvido o carro.

A viagem de ida de Paris a Avranches, que levou 7 horas de duração, levou apenas 3 horas na volta. Optamos pela autoroute (rodovia). Estradas ótimas, com pedágio, pagamos 4 pedágios no trecho que fizemos, total de mais ou menos 13,00 euros. Na verdade as autoroutes ganham em número de pistas, e limite maior de velocidade, porque em termos de qualidade de estrada, as secundárias todas eram muito boas também e muitos trechos em pista dupla. Dirigir na estrada aqui na França, e pelo que ouvimos falar, em toda a Europa, é muito tranquilo. Já em Paris, a coisa muda de figura.

Depois deste final de semana, nossas viagens podem ser contadas em "antes do GPS" e "depois do GPS". É a coisinha mais maravilhosa do mundo! Ele nos dá opções como pagar pedágio ou não, caminho mais rápido ou mais curto, e ainda avisa que o mais curto não é necessariamente o mais rápido, nem o mais econômico... foi essa nossa opção na ida, e amamos! Apesar da sensação de estarmos sendo vigiados o tempo todo, afinal, por mais que nos perdêssemos o tal GPS sempre sabia dizer onde a gente estava, a tranquilidade de ter "alguém" nos indicando o caminho o tempo vale cada centavo de euro pago! Nem cogitaremos alugar carro por aqui sem GPS!

E pra finalizar, antes de saírmos do Brasil, pesquisamos sobre carteira de habilitação para dirigir na Europa. Em alguns lugares dizia que é necessária a Permissão Internacional para Dirigir (PID), em outros dizia que a Habilitação brasileira é suficiente. Como Aline precisou renovar a carteira antes de vir para cá, resolveu fazer a PID também. Quando foi buscar o carro na locadora, levou a Permissão Internacional mas quando mostrou o documento, a mocinha pediu o documento do país de origem... voi lá!

O carro que alugamos era um xuxuzinho, um Panda da Fiat, bem pequeninho e super gostoso de dirigir. Pegamos a opção mais barata, mas o carro era completo, com direção hidráulica, vidros elétricos, ar condicionado, etc. Não sei se aqui existem carros mais básicos que isso... A locação para três dias ficaria em 114,00 euros, mas a cadeirinha para o Joaquim é um opcional pago a parte (28,00 euros) e o GPS também (10,00 euros por dia), e ainda tem impostos e seguro opcional, combustível, pedágios, etc. Ou seja, alugar um carro não é das coisas mais baratas por aqui, mas é muuuuuito bom! É ótimo ter a liberdade de ir e vir quando a gente bem entender, e parar quando e onde quiser...

A viagem a Mont Saint-Michel foi uma decisão repentina e muito acertada. Foi uma viagem maravilhosa de carro, nossa estreia pelas estradas europeias.

Donc, voilá! C'est ça. C'est fini.

outubro de 2010.