FRANÇA - Dia 06: Arles
Resolvemos dedicar o dia a cidade de Arles. Ela fica a 70 km de Aix pela autoroute, uns 50 minutos de viagem. Ao chegarmos na cidade, logo vimos placas sobre o centro de informações turísticas e um parque de estacionamento. Deixamos o carro ali após dar moedinhas pra duas senhoras que estavam ajudando a indicar a vaga. No centro de informações pegamos um mapa. A gente já tinha lido sobre alguns atrativos do lugar e visto que era possível comprar um passe com direito a várias visitas, o que ficaria mais barato que pagar uma a uma. Pagamos 9 euros com direito a 4 monumentos e 1 museu. Conseguimos comprar ali mesmo, mas também se pode comprar direto nos locais de visitação. O centro antigo é semelhante a outras cidades que já visitamos: você faz tudo a pé. Ruas estreitas, algumas onde passam carros, a diferença entra Arles e Salon é enorme em termos de conservação. Arles tem um ar muito antigo, não parece cidade cinematográfica toda pintadinha novinha, mas está bem conservada. Na parte mais distante da maioria dos pontos turísticos tem algumas ruas mais empobrecidas, perceptível pelos varais, cortinas, uma conservação mais precária – mas mesmo assim bem mais preservado que Salon. Lá visitamos quatro locais com o passe: Théâtre Antique (que tem recebido investimentos na preservação e que é utilizado às vezes), Amphithéâtre (que ainda recebe espetáculos e tem uma conservação mais precária – conseguimos subir em uma das torres e ter uma vista excelente do local e também da cidade), Thermes de Constantin (não achamos a visita muito interessante, talvez com mais informações seria) e Les Alyscamps (que é fora do centrinho mas dá pra ir a pé – um lugar estranho, interessante. A acústica na Igreja Saint-Honorat é fantástica, vale a pena testar). Também visitamos o Espaço Van Gogh, um centro cultural onde foi o Hôtel de Dieu, o hospital psiquiátrico onde Van Gogh foi internado após cortar a orelha. A Place Du Forum é famosa por ter um café que Van Gogh pintou, mas existem vários cafés e restaurantes ali. Van Gogh é o cara na cidade, assim como Cézanne é em Aix e Nostradamus em Salon. Dá pra fazer uma caminhada super agradável no calçadão na margem do rio Rhône. A cidade tem várias coisas interessantes (museus, parte da muralha, outros monumentos), saímos sem ver tudo.Vimos uma placa que propunha 4 circuitos diferentes para se fazer a pé: Circuito Van Gogh, Circuito Antigo, Circuito Medieval, Circuito Renascentista e Clássico.
Les Alyscamps e uma cópia do quadro de Van Gogh retratando o lugar
Vista da cidade
Teatro antigo
Anfiteatro Ali perto também tem outras vilas pra visitar como Les Baux-de-Provence e Saint-Rémy-de-Provence, mas cansados decidimos abrir mão. Pensamos que talvez devêssemos ter mudado nossa base pra cá, numa segunda fase da viagem, pois está perto de Avignon e passaremos aqui quando formos a Carcassonne. Mas a distância até Aix não é grande e lá acabamos fixando nossa casa temporária.
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FRANÇA - Dia 05: Aqueduc de Roquefavour, Salon-de-Provence e Château de La Barben
Resolvemos dar uma descansada no hotel. Joaquim estava com sono na hora de sair e resolvemos deixá-lo fazer sua soneca no berço. Resultado, mais de 3 horas de soninho. Acabamos começando nosso passeio por volta das 16h. Tínhamos decidido visitar lugares no departamento de Bouches-du-Rhône, nos arredores de Aix. Começamos indo ao Aqueduc de Roquefavour. Pra chegar lá, programamos o GPS para Roquefavour pra ver onde ia dar para então tentar localizar o aqueduto. Deu certo, logo vimos placas e em 15 minutos já estávamos lá. Vale a pena parar o carro e caminhar nas margens do riacho que passa sob a ponte. Vimos gente no alto do morro, perto do aqueduto, o que nos leva a crer que dá pra subir lá, talvez até a pé do ponto onde estávamos. Não quisemos tentar pois tinha recém chovido e não queríamos levar Joaquim nessa aventura. Fomos então até o centro de Roquefavour, onde o GPS indicava. Tinha apenas uma casa lá...
De lá programamos o GPS e fomos pra Salon-de-Provence. Em 30 minutos chegamos à cidade. Tinha ares de cidade maior, tendo uma região central antiga. Procuramos o castelo, o Château de l’Empéri e avistamos no alto de um morro. Conseguimos chegar lá de carro, ele estava aberto mas não conseguimos vaga pra estacionar. Ficamos rodando na cidade tentando achar onde deixar o carro e tivemos muita dificuldade para achar uma vaga. Chovia fraquinho, as ruas estavam desertas. Era domingo a tarde e não tinha praticamente nada aberto. Parecia cidade fantasma. Conseguimos uma vaga e fomos a um café pra dar um tempo e ver se a chuva diminuía. O café ficava na frente do relógio e da fonte que parece um champignon gigante, de tanto limo acumulado.
A chuva diminuiu e entramos na cidade velha, percorrendo as ruelas. Encontramos logo uma estátua muito bacana de Nostradamus. Ele é figura turística lá, tendo uma pintura enorme dele na fachada de um prédio, uma rua com seu nome onde fica também o seu museu, na casa onde ele morou. Chegamos ao castelo e ele tinha fechado. Andamos mais um pouco e achamos a cidade muito mau conservada. Prédios com arquitetura recente se misturavam com os antigos, mesmo na parte mais antiga da cidade. Muitos dos prédios mais velhos estão mal conservados, dando um ar decadente a cidade. A impressão que dá é que não há uma política de preservação nem manutenção. Mesmo um dos atrativos desta parte central, a fonte antiqüíssima perto do castelo, que tinha placa com informações históricas e falava sobre a restauração do local, era desoladora. Estava muito suja e tinha lixo acumulado dentro, no fundo, com cara de que estava lá há muito, muito tempo. Fomos embora com a sensação de que não vale muito pena incluir Salon num roteiro. Talvez a visita ao castelo seja bem legal e o museu de Nostradamus, mas castelos legais existem em várias cidades. Bem bacana foi ouvir os sinos da igrela de Saint-Michel tocando, é um conjunto de sinos que badalam música em alguns horários.
Dali programamos o GPS para a cidade de La Barben, pois vimos no mapa turístico que tinha um castelo lá. Em 15 minutos, uns 30 km, estávamos dentro desta cidadezinha que nos pareceu muito simpática. Ela parece ser uma cidade recente, feita de casinhas com jardins. Não nos pareceu ter atrativos turísticos. Vimos placas indicando o Château de La Barben e seguimos direto. No fim da estrada vimos surgir o castelo. Ele tem todos os ares de um castelo medieval, com torres, muros, com janelinha pra princesa e parecendo a espera de algum dragão voador. Muito bonito. Ao lado do castelo tem um jardim lindo e tem também uma área de piquenique ao lado do riacho. Toda região de floresta. O Castelo fica ao lado do zoológico de La Barben. Estava escurecendo, tudo molhado da chuva e resolvemos voltar. Vimos um cartaz dizendo que nos dias 2 e 3 de abril o castelo reabrirá com apresentações medievais. Então resolvemos voltar no domingo pra um piquenique e visitar o castelo. Programamos o GPS pra voltar a Aix e em 20 minutos já estávamos chegando. No caminho passamos por um vilarejo chamado Saint-Cannat, bem pitoresco e bonito e pensamos em talvez ficar em uma pousada ali, no final de semana quando estaremos fechando a viagem.
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FRANÇA - Dia 04: feira em Aix e praia em Cassis
Resolvemos mudar o ritmo da viagem e curtir uma praia. Mas antes resolvemos visitar a feira no centro de Aix, ver o que estas feiras provençais tem de tão especial. E realmente, estas feiras são um deleite aos sentidos: cheiros deliciosos, cores, sabores – várias vezes nos ofereceram degustão. Depois de ver a feira de alimentos, artesanado e roupas, fomos ver a feira de flores, que fica na praça da prefeitura. Tudo de bom para um sábado de manhã.
Depois disso seguimos pra praia. Destino: Cassis, a 48 km de Aix. Pra ir mais rápido, decidimos pagar pedágio mas não foi caro. Ruim é saber como os pedágios funcionam, pois existem dinâmicas diferentes: com atendente, pagamento automático, pra retirada de ticket, pra pagamento de ticket, pra arremesso de moedinha e assim vai. Pegamos um sábado lindo de sol. Rodamos um pouco até achar um local pra estacionar e demos sorte: de graça e bem localizado. A cidade se concentra na volta do porto onde tem vários cafés e restaurantes. Muita gente com cara de endinheirada, mas essa região central preserva os ares de cidadezinha. A praia de cascalho branco e mar verde, permite ver alguns morros em tons de marrom e laranja do lado esquerdo e rochas cinzas do outro lado. Na praia tinha muita gente deitada tomando sol, de roupa e tudo e direto no chão. Tinha algumas pessoas de roupa de banho tomando sol e alguns poucos adolescentes corajosos que entraram no mar por alguns minutos e com fortes reações à temperatura gélida da água. Ficamos imaginando que no verão não deve ter lugar pra pôr o pé no chão, pois se num sábado no início da primavera já tinha tanta gente por lá...
Descobrimos lá que existem passeios de barco para visitar os calanques. Eles oferecem 3 possibilidades: 3, 5 ou 8 calanques, com durações que vão de 45 a 1h30. O preço varia conforme a duração. Decidimos ir no de 5, a um custo de 17 euros por cabeça e 1h05 de duração. Foi muito bacana. Eles dão algumas informações em francês sobre alguns pontos. Um passeio muito bonito.
Na volta programamos o GPS pra evitar pedágios e ele nos levou a Marseille. Atravessamos a cidade e ficamos impressionados com o tamanho – é a segunda ou terceira maior cidade da França. Resolvemos que não iremos visitar Marseille desta vez, estamos preferindo lugares menores e mais “apreensíveis”.
Na volta programamos o GPS pra evitar pedágios e ele nos levou a Marseille. Atravessamos a cidade e ficamos impressionados com o tamanho – é a segunda ou terceira maior cidade da França. Resolvemos que não iremos visitar Marseille desta vez, estamos preferindo lugares menores e mais “apreensíveis”.
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FRANÇA - Dia 03: Buoux, Apt, Roussillion, Gordes, Ménerbes
De posse de mapas, e pesquisando um pouco mais na internet, definimos nosso roteiro do dia. Resolvemos repetir a dose itinerando por villages de Vaucluse, departamento da França que faz parte da Provence – o mesmo departamento das villages de ontem. Aix pertence a Bouches du Rhône. Nosso destino era Gordes, mas no caminho resolvemos passar por Buoux, região produtora de lavandas. A época de flora da lavanda é em junho e julho, mas quisemos passar por lá mesmo assim. Passamos por algumas vilas que visitamos ontem e fomos adentrando numa serra super linda, de estradas estreitas, com curvas, montanhas rochosas e vales.
Quase chegando em Buoux, vimos uma placa que indicava um castelo, então entramos na estreita estradinha vendo paisagens ótimas para um piquenique. No entanto não paramos e quando chegamos ao castelo vimos que ele era um espaço restrito, pelo que parecia um local para atividades com estudantes. O GPS recalculou a rota e não precisamos voltar.
Boux é uma vila muito pequena, talvez se 15 a 20 casas, algumas poucas pousadas e restaurantezinhos, na encosta da montanha cercada por plantações de lavanda. Pensamos em almoçar naquela paz, mas o restaurante onde perguntamos estava fechado, então seguimos adiante para Apt. O trajeto foi muito legal, mais bonito ainda, com várias plantações de lavanda e vinhas. Aliás, vinha é o que não falta nessa região que deve ficar linda na época da colheita da uva – agora só se vê as videiras sequinhas.
Entramos em Apt, estacionamos o carro para comprar pão para nosso piquenique de logo mais. Andamos pelo centro da cidade que parecia deserta. Praticamente todo comércio estava fechado – e era apenas 12h30. O centro velho lembra Aix, mas menos preservado e cuidado. Conseguimos encontrar uma boulangerie (alguma estavam fechadas pois era hora do almoço...) e seguimos viagem para Roussillon.
Chegando lá, encontramos um estacionamento (todos são pagos na vila) que tinha uma área para piqueniques. Aproveitamos o local e depois exploramos a pequena vila que fica no alto de um monte. A região se destaca pelo ocre retirado da terra que exibe múltiplos tons de marrom e laranja. O assunto é tão relevante que tem até locais de observação do solo, informações geológicas da região. Todas as casas de Roussillon são pintadas com as tonalidades do ocre. O local pareceu muito tranqüilo, com hotéis e pousadas. Bem no topo da cidade há uma igreja cercada de ruelas onde há um mirante fantástico com uma vista muito ampla, me arriscaria a dizer que de quase 270 graus. Em outro ponto é possível ver algumas camadas da coloração da terra e ter uma vista panorâmica da vila.


Programamos o GPS e em cerca de 15 minutos chegamos a Gordes. O vilarejo tem uma estrutura turística maior, um castelo bem no centro e muitas ruinhas antigas de pedra – o que pra nós foi um problema, pois Joaquim chegou lá dormindo e explorar a cidade com ele deitado no carrinho foi exaustivo, pois tínhamos que carregar o carrinho quase que o tempo todo. Resultado: desistimos de circular, sentamos na varanda de um café com uma vista fantástica. Vimos algumas pessoas em um mirante num morro defronte de onde estávamos e resolvemos ir até lá. Uma vista perfeita e maravilhosa da cidade, que ocupa toda a encosta do morro com construções utilizando um sistema de terraços.

Decidimos ir a Ménerbes antes de voltar a Aix e tentar encontrar um lugar lá pra ver o pôr-do-sol. GPS programado, mais alguns minutos e avistamos a cidade. Conseguimos estacionar na entrada da pequena cidade e seguimos a pé. Lá de cima a vista também é fantástica. A cidade tem ares antigos, algumas casas menos conservadas. Teria sido legal se tivéssemos chegado um pouco mais cedo pra percorrer mais o lugar. A noite caindo, descemos o morro e retornamos pra Aix-en-Provence.
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FRANÇA - Dia 02: Cadenet, Lourmarin, Lauris, Ansouis
Decidimos ir pra Lourmarin, direção norte, sem saber muito mais sobre a cidade. Programamos o GPS, optamos por evitar pedágios para poder circular por estradas secundárias. Nos primeiros quilômetros saindo de Aix, vimos placas indicando châteaux ao longo do percurso, vinícolas que além de produzir, vendem seu vinho e oferecem degustação. No caminho, nos deparamos com a vista de uma cidade montada num morro, com casa em tons de marrom e laranja e resolvemos entrar em Cadenet. Tentamos chegar até o alto do morro, mas depois de rodar e não chegar, resolvemos seguir para o nosso destino, porém fomos levados pelo GPS até uma ruazinha com casas simpáticas na parte alta da cidade. Não resistimos e decidimos parar para algumas fotos. Foto-a-foto, fomos descendo pelas ruas e percorrendo a pequena “village”. Tudo muito tranquilo, muito silencioso, muito vazio, vez por outra algum velhinho andando na rua, alguém cantando dentro de casa. Chegamos a uma pracinha e vimos um “office de tourisme”, resolvemos entrar pra ver se conseguiríamos um mapa da região. Voilá! Recebemos mapas, dicas, uma explicação geral sobre a região. Agora poderíamos fazer as escolhas dos roteiros com mais critérios.

Seguimos então para Lourmarin, uma pequena cidade que tinha um ar um pouco mais turístico, com uma pracinha onde havia alguns cafés e lojas de souvenirs. Mas o clima de tranqüilidade permanecia no ar. Na cidade há um castelo, aberto a visitação, mas que por fim acabamos não conhecendo internamente. Almoçamos num restaurante coma vista para o castelo. Depois de comer, andamos naquela direção e tivemos uma vista muito bacana da cidade. Descobrimos atrás do castelo uma plantação de oliveiras com um pessoal fazendo piquenique ali mesmo, encontramos uma trilha no bosque e mais um casal de velhinhos fazendo piquenique. No ar, o som do vento nas árvores, muitos pássaros e a tranquilidade mesclada com o sol suave. Na saída cruzamos com um funeral e o cortejo que seguia a pé o carro fúnebre pelas ruelas estreitas.

Programamos o GPS para Lauris, uma cidade que fica na encosta de um morro, com uma vista fantástica do vale. Conseguimos estacionar com facilidade, nos perdemos por ruelas antigas e fomos até um jardim na encosta, sentamos apreciando a calma, o céu azul, as construções de pedra. Em seguida resolvemos fazer um lanche e caminhamos até uma boulangerie que fica diante da prefeitura. Compramos uns doces típicos franceses e sentamos num banquinho na praça vendo a vida passar, deleitando agora nosso paladar.

Antes de o dia acabar, decidimos ir ver o pôr de sol em alguma outra vila, então o GPS nos levou para a pequena Ansouis. A vila ocupa um morro e no alto existe um castelo. Lá nos sentamos e assistimos o sol dourar as paredes de pedra e ir sumindo atrás dos morros no horizonte mudando as cores do mundo. Andamos um pouco durante o resto de claridade e a vila tinha o mesmo clima de cidade perdida, quase abandonada, das outras que vimos neste dia. 
A distancia de uma village a outra varia de 2km a 5km, sempre por estradinhas estreitas de mão dupla, muito bem conservadas, de asfalto, com paisagens singelas e casinhas perdidas aqui e acolá. Voltamos já noite e foi super tranqüilo dirigir por lá. Além de o GPS sempre garantir uma orientação, o que significa que nunca estamos totalmente perdidos, todas as estradas possuem placas indicando os vilarejos da região.
Seguimos então para Lourmarin, uma pequena cidade que tinha um ar um pouco mais turístico, com uma pracinha onde havia alguns cafés e lojas de souvenirs. Mas o clima de tranqüilidade permanecia no ar. Na cidade há um castelo, aberto a visitação, mas que por fim acabamos não conhecendo internamente. Almoçamos num restaurante coma vista para o castelo. Depois de comer, andamos naquela direção e tivemos uma vista muito bacana da cidade. Descobrimos atrás do castelo uma plantação de oliveiras com um pessoal fazendo piquenique ali mesmo, encontramos uma trilha no bosque e mais um casal de velhinhos fazendo piquenique. No ar, o som do vento nas árvores, muitos pássaros e a tranquilidade mesclada com o sol suave. Na saída cruzamos com um funeral e o cortejo que seguia a pé o carro fúnebre pelas ruelas estreitas.
FRANÇA - Dia 01: Paris - Aix-en-Provence
Nossas férias estavam programadas para a região da Toscana, na Itália, fazendo um percurso de carro e depois seguindo para a Grécia. Por problemas percebidos na hora do embarque no aeroporto em Paris (validade do passaporte), tivemos que abortar a viagem que teria 17 dias. Inconsolados por não poder realizar a viagem dos sonhos, resolvemos dar a volta por cima e aproveitar o período de férias que teríamos em nossa estada de uma ano morando em Paris e adotar um novo destino. Antes de voltarmos para o Brasil, em alguns meses, planejávamos uma viagem pela região de Provence, sul da França, por cerca de duas semanas. Então decidimos inverter os planos, pois poderíamos seguir de trem sem problemas com a validade do documento na hora do embarque. Decidimos isto na terça, e compramos as passagens de trem (TGV) para a quarta-feira, dia 23 de março. Em 3 horas percorreríamos cerca de 750 km até Aix-en-Provence. Já tínhamos lido alguma coisa sobre a região, e uma idéia que vimos era de fixar-se em uma cidade e percorrer a região a cada dia sem precisar gastar tempo com a instalação em novos hotéis. Como viajamos com nosso bebê de 1 ano e 5 meses (ou 17 meses, como contam aqui na França), achamos que seria perfeito, pois isso além de ser mais prático e não exigir que se carregasse toda a bagagem a cada dia, daria uma certa rotina pro bebê, amenizando o estresse da mudança de ambiente e ritmo. Reservamos um hotel pelo booking.com, um dos mais baratos que encontramos, o L’Atrium Hotel, que fica super bem localizado, bem perto da cidade velha, da avenida Mirabeau. O hotel é uma espécie de residencial, um flat, onde tínhamos um pequeno apartamento com quarto, sala, mini-cozinha equipada (bem básica mas com microondas), banheiro, roupa de cama e banho. Achamos a opção excelente, pois com isto economizaríamos em refeições (o café da manhã paga à parte assim como internet, limpeza, estacionamento), e na França se encontra facilmente, em qualquer mercado, comida congelada pronta e baratíssima – e gostosa. Reservamos o flat por 5 dias e depois de entender melhor a região optamos por ficar mais 3, antes de seguir viagem e mudar de base. Chegamos em Aix-en-Provence final da tarde, na estação de trem da TGV, que fica fora de Aix. Ali já havíamos reservado nosso carro pela Avis, empresa com a qual já alugamos carro outras vezes aqui na França e sempre oferece o melhor preço em nossas pesquisas, considerando junto o acento para bebê e GPS. Com GPS em mãos, amigo inseparável, estávamos prontos para desbravar a Provence. Pegamos um Aygo, Toyota, bem pequeninho, mas com capacidade pra 4 pessoas, no nosso caso, 2 adultos e uma cadeirinha de bebê, com menos de 1000 km rodados, não dá pra reclamar, né? Chegamos no hotel, deixamos as malas, mapa em mãos e localizados pelo recepcionista, nos embrenhamos pelas ruelas da cidade velha, vendo no final de algumas ruas o sol dourando as fachadas da casas e as luzes acendendo.
O movimento de final de dia de trabalho mostrou uma cidade viva, dinâmica, muito além de ser uma cidade turística, uma cidade onde deu vontade de morar. As ruas estreitas, algumas reservadas apenas para pedestres, muitas divididas entre caminhantes e motorizados, possuem casas antigas bem conservadas, lojas, cafés, inúmeras fontes por todo lado, algumas mais monumentais, outras discretas.
Começamos pela Avenida Mirabeau e nos embrenhamos, encontramos a praça da prefeitura com sua torre e relógio, a praça da Igreja de Madeleine. Fizemos algumas comprinhas básicas num supermercado próximo ao hotel e fomos tentar definir o que fazer no dia seguinte, pois embora já tivéssemos lido alguma coisa, não tínhamos muita noção das distâncias, localização, nem mesmo as cidades e pequenas vilas que iríamos visitar.
Acima, torre da prefeitura, com relógio e sino. Abaixo, indicações das distâncias em minutos de caminhada.
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Au début | No início
O começo de tudo foi há tempos. Muitos tempos. Foi quando Ismael e eu nos conhecemos. Tínhamos em comum não pertencermos à cidade onde nos encontramos. O que fazíamos ali? Estudávamos. Uma fase da vida depois da qual seguem outras fases, com certeza (assim pensávamos) em outras "paragens" (do gaúchês "terras"). Mas acontece que nosso se conhecer virou um se gostar, dali pra se apaixonar foi um pulo e quando nos demos conta estávamos no se casar e criar raízes. Esse criar raízes foi uma coisa natural e quando nos demos conta gostávamos da "nossa" cidade, do nosso canto, do nosso universo em comum. Mas lá no fundinho aquele desejo por novas paragens permaneceu. E sempre foi um desejo forte, grande mesmo, e muito compartilhado, de ter um contato, mais intenso do que alguns dias de férias, com outra cultura. Acho até que foi sempre isso que nos moveu em nossas viagens, quanto mais longe e diferente melhor: mochilão pela Europa, depois Argentina e Uruguai, dirigir pelas cidades históricas de Minas e Litoral Carioca, conhecer a "esquina" do Brasil lá no Norte, mergulhar em Noronha, andar de "pau-de-arara" em Jericoacoara, passar três dias viajando de barco no Rio Amazonas, beber Pisco Sur e Chá de Coca no Peru, mergulhar nas Galés de Maragogi e subir e descer ladeiras em Olinda foram algumas de nossas aventuras, porém sempre de alguns, às vezes muitos, dias. E nessas aventuras sempre brincamos de eleger lugares onde um dia ainda iremos morar - Barcelona, Paris, São João Del Rei, Santarém, Buenos Aires, Recife... já houve ocasião em que quase demos uma de loucos e nos mandamos para Barcelona por nossa conta e risco, quando Ismael foi aceito para uma vaga de doutorado. Mas não tínhamos bolsa de estudos, bateu o medão, não fomos...
Agora, passados 12 anos e meio juntos e bem vividos, algumas viagens de ensaio, um filho e uma mochilinha a mais para carregar, eis que nosso desejo pelo novo está prestes a se realizar no velho mundo: oui, Paris!!! Estamos embarcando para a aventura de viver um ano na Cidade Luz, no papel oficial de pesquisador, esposa e filho e no extraoficial de uma família disposta a experimentar tudo o que a cidade tem a oferecer e conhecer, explorar, degustar e absorver Paris nos mínimos detalhes. Se é que um ano é tempo suficiente para isso!
Agora, passados 12 anos e meio juntos e bem vividos, algumas viagens de ensaio, um filho e uma mochilinha a mais para carregar, eis que nosso desejo pelo novo está prestes a se realizar no velho mundo: oui, Paris!!! Estamos embarcando para a aventura de viver um ano na Cidade Luz, no papel oficial de pesquisador, esposa e filho e no extraoficial de uma família disposta a experimentar tudo o que a cidade tem a oferecer e conhecer, explorar, degustar e absorver Paris nos mínimos detalhes. Se é que um ano é tempo suficiente para isso!
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| Dia de nossa viagem para a grande aventura |
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