2o. dia - Departamento de Lot - Saint-Cirq Lapopie

O segundo dia amanheceu belíssimo e nós, em "nossa" casa de campo, no pequeno vilarejo de Lacave, tomamos um belo café da manhã trocando ideias com Anne-Marie, que havia voltado há poucos meses de suas férias pelo litoral da Bahia...
TDepois de um bom papo, pedimos algumas informações, e decidimos mesmo destinar o dia a Saint-Cirq Lapopie, uma cidadezinha localizada a cerca de 70 km.
Programamos o GPS para evitar estradas pedagiadas e para mergulharmos pelas rotas próximas da natureza. Tomamos a estrada sem pressa, decididos a deixar as paisagens nos conquistar. Nós, e os muitos ciclistas que percorrem a região turistando em duas rodas.



Ao passarmos por dentro de um pequeno vilarejo que tem uma ou duas ruas, não resistimos e paramos para algumas fotos. Com direito a ver rebanhos de ovelhas pastando na beira da estrada...



Poucos quilômetros a frente, novamente fomos surpreendidos e obrigados a parar. Encantados com a imagem abaixo, decidimos entrar na vila e deixar o carro pra uma caminhada. Sem ver quase ninguém nas ruazinhas e mesmo nas casas, nos sentíamos quase que em um filme, em uma cidade fantasma... ou mágica.


 Mais ao fundo, após o riacho e a ponte de pedras, uma estradinha com criações de ovelha, galinhas e coelhos.

A vontade de permanecer naquela beleza e serenidade era grande demais. Mas se tínhamos achado aquele lugarzinho pitoresco por acaso, talvez valesse mesmo a pena seguir até Saint-Cirq.


Assim, deixamos Saint-Martin de Vers pra trás. Vários quilômetros depois, entramos na cidade de Vers, com uma bela paisagem logo na entrada. Não nos detivemos pois além de visitar Saint-Cirq, a gente queria fazer o passeio de barco e tínhamos que descobrir exatamente onde embarcar e que horas haveria o passeio.

Passando por Vers
A partir dali fomos costeando o rio Lot, que dá nome ao departamento. Em Saint-Géry perguntamos sobre o passeio de barco e nos informaram que ele partia de Bouziès, um pouco mais adiante.

Costeando o rio Lot, seguindo em direção a Bouziès e Saint-Cirq Lapopie
Encontramos o local e decidimos, pelo horário, visitar primeiro Saint-Cirq e depois fazer o passeio de barco. Subimos então de carro e fomos desbravar o belíssimo vilarejo no alto de uma falésia, à beira do rio.
A cidade é um portal no tempo com suas construções medievais datadas desde o século XIII. Cheia de história e mitos, dali pode-se dar início à peregrinação pelo caminho de Santiago de Compostela (Espanha). Logo que chegamos, procuramos o escritório de turismo pra conseguir um mapa da cidade e informações sobre o local. (http://www.saint-cirqlapopie.com/)
Vista do alto com o mapa da cidade.


Subir e descer em Saint-Cirq - inevitável. 

 A beleza dos detalhes... Por toda cidade, em cada ângulo.
Saint-Cirq Lapopie recebeu o selo "Les plus beaux villages de France" [As mais belas vilas da França] atribuídos às vilas mais impressionantes da França. E pode ter certeza. Se tem o selo, é imperdível! Pode conferir a lista aqui: http://www.les-plus-beaux-villages-de-france.org/fr


Vendo o rio Lot do mirante de Saint-Cirq-Lapopie


Nosso almoço foi um belo piquenique ali mesmo, contemplando os telhados da cidade. Depois de babar por toda cidade e fotografar muito, de olho no relógio (íamos pegar o barco das 15h30) fomos pro passeio de barco (www.lot-croisieres.com).


O passeio guiado fornece informações sobre a região e sua história. Leva cerca de uma hora em um rio calmo, num passeio tranquilo, passando também por uma pequeno canal com eclusa.
Saint-Cirq Lapopie visto desde o rio.

Château des Anglais, pertinho de Bouziès.
Como o dia ainda estava rendendo, resolvemos dar estender o passeio até Cahors. Capital do departamento, famosa produtora de vinho, chegamos na cidade sem saber muito a respeito dela. Mas sobre a famosa ponte a gente tinha informação. Então começamos circulando a cidade de carro até encontrá-la. 

Daí seguimos perambulando pela cidade. Final de tarde, terminamos tomando uma taça de vinho branco bem gelado pra celebrar o fim de tarde de sol.


Perambular pela ponte, que beleza. Mas sabe aquelas ideias que você tem e depois se pergunta: que tô fazendo aqui? rsrsr isso que dá subir no alto de uma escada sem corrimão dos dois lados. Mas tudo bem. Pernas bambas mas sobrevivemos intactos. Prontos pra outra!

Videiras à margem do rio Lot.

Pelas ruas estreitas do centro medieval de Cahors.

Sol de fim de dia (lá pelas 21h...) dourando a velha arquitetura.
Findado o dia, pegamos rumo noite a dentro para nossa casa de campo Le Capistan, em Lacave.





Com certeza, não aproveitamos Cahors em sua melhor possibilidade. Mas, como dizemos, "fica pra volta!"
Dois vídeos de onde andamos hoje:
a) Cahors
b) a região de Saint-Cirq Lapopie

1º dia - Departamento do Lot - França

Morando novamente em Paris por alguns meses em 2012, ficamos super empolgados em visitar uma pequena cidade em especial, depois de vermos uma foto no blog Pedalando em Paris. A imagem de Rocamadour nos impressionou tanto, que pensamos que deveríamos aproveitar a oportunidade de estar "perto", na França, e ir pessoalmente conferir o local.


Até começar a descrever esta viagem aqui no blog não sabia como chamar a região onde estivemos, pois ela (feliz ou infelizmente) não faz parte dos roteiros mais badalados para viagens de carro na Europa. Mas se você quiser uma dica de um roteiro muito bacana (que não perde em nada para um circuito de carro pela Toscana, na Itália, ou mesmo na Provença, sul da França), aproveite aqui algumas deixas... há muito mais por desbravar por lá do que conseguimos realizar.

Por fim, resolvi chamar esta viagem de Departamento do Lot (que tem esse nome por causa do rio Lot), pois estivemos na maior parte do tempo dentro deste estado francês. Pensei também em dar o nome de Parc naturel régional des Causses du Quercy, pelo fato desse parque ocupar boa parte do estado de Lot (que estão dentro da Região do Midi Pyrénées), mas vendo mapas, percebi que estivemos em alguns lugares que não estão situados no parque "oficialmente", mas se enquadram dentro do Vallée de la Dordogne. Bom, ficam estas duas dicas de pesquisa: http://www.parc-causses-du-quercy.fr e http://www.vallee-de-la-dordogne.fr .


1º dia - relato de viagem

Decidimos ir de Paris até Rocamadour. Começamos a pesquisar passagem de trem pois vimos que seriam cerca de 450 km até lá, então pensamos em ir de trem e lá alugar um carro pra percorrer a região. Percebemos que para Rocamadour teríamos que trocar de trem, sendo assim, decidimos ir até uma cidade maior onde não precisássemos fazer conexão e ali alugar um carro. A cidade onde deveríamos fazer a conexão de trem seria em Brive-la-Galliard. Então compramos o trem até lá e reservamos um carro com a Avis.

Decidimos fazer a carteirinha Enfant + da SNCF que nos oferecia algumas vantagens que achamos que compensaria os 71 euros investidos. Como iríamos fazer mais viagens de trem pela França, o investimento se pagaria com certeza, agregando maior conforto e nossas viagens. Com a carteirinha, a criança até 4 anos, quando viaja tem direito a um assento gratuito para si e possibilita descontos na passagem de trem para até 4 adultos (não precisam ser parentes da criança) de 25 a 50% no valor das passagens nos trens Intercités e TGV. Além disso, por convênio com a Avis, na locação de carro na ocasião da viagem, dá direito a aluguel gratuito da cadeirinha além de um desconto nas diárias. A SNCF oferece alguns trens com vagão especial para pessoas acompanhadas de crianças, que pudemos usufruir na viagem de volta.
Trem (3 assentos) = 60 euros ida
Carro = 144 euros + 10 euros de GPS por dia (4 diárias)

Calculamos o tempo pra chegar de metrô até a Gare d'Auterlitz, mas acabamos demorando mais do que calculamos caminhando até a estação de metrô. Resultado: desembarcamos na plataforma às 8h54. Nosso trem era às 8h58. Não sabíamos nem como ir da plataforma do metrô até a estação de trem, que na realidade, viemos a descobrir, é colada (achamos que era integrado), mas é preciso sair e entrar novamente na estação. Corremos feito loucos, chovia na hora, pegamos chuva, ainda precisávamos descobrir qual a plataforma do trem pelo painel eletrônico, validar os bilhetes antes do embarque. E já ouviram falar que o trem não espera? Pura verdade. Com 4 minutos pra fazer tudo isso, nosso destino já estava praticamente traçado. Exceto... se o trem estiver vindo de outra cidade e atrasar. Nossa salvação! O trem teve um atraso de quase 1 hora, azar de uns, sorte de outros...


Pesquisamos hotéis em Rocamadour e percebemos que há poucas ofertas na cidade. Começamos então a procurar por Chambres d'Hôtes, que é um tipo de hospedagem semelhante aos Beds & Breakfest, ou seja, são como pousadas domiciliares, onde você se hospeda na casa de uma pessoa. A estrutura normalmente é de uma pousada: quarto com banheiro, café da manhã, muitas vezes entrada independente, algum ambiente de estar comum (sala, biblioteca, varia muito). São estabelecimentos de atividade turística que deve atender várias normas da legislação, como por exemplo, ter o limite máximo de receber 15 pessoas, o que torna sua estadia muita mais pessoal e inserida na localidade, no contato direto com moradores. Uma das grandes vantagens, além de ter contato atencioso, é poder ficar em áreas muitas vezes consideradas rurais, em contato grande com a natureza, e por isso, ter também espaço gratuito de estacionamento. Além de preços normalmente menores que hotéis, o café da manhã é incluído da diária - o que normalmente não acontece em hotéis na França. Procurando aleatoriamente na internet, nos deparamos com o site do Le Caspitanlocalizado num pequenino vilarejo chamado Lacave, há 11 km de Rocamadour. Como pretendíamos passear por vários lugares na região, estava perfeito. Pagamos 55 euros a diárias, com café da manhã e berço gratuito. Não aceita cartões de crédito, check-in a partir das 16h e check-out até às 11h - pra nós estes horários estavam perfeitos. Anne-Marie fala além do francês, claro, inglês e espanhol. Nos deu muitas dicas de vilarejos bacanas na região.


Depois de 5 horas de trem até Brive (das quais Joaquim dormiu mais de 4), pegamos o carro e vimos que ainda estava cedo, pois havíamos passado a previsão de chegarmos as 16h30 na pousada. Fomos então até o centro de Brive, no Office de Tourisme pra pegar informações e mapas da região. Dirigimos por cerca de 45 km, cerca de 50 minutos até Lacave. Optamos por evitar pedágio da A20 e pegar estradas secundárias, que tem termos de tempo e quilometragem, dava praticamente no mesmo. Mas em questão de passeio e paisagem, ganharíamos muito.




Mapa indica a localização de Brive (A), Lacave (B) e Rocamadour (C)

Quase chegando a Lacave, passamos por uma ponte e tivemos que dar meia volta pra ver novamente um castelo na margem do rio. Paramos, demos uma caminhadinha pelo mato pra ver mais de perto.





Recém instalados em um quarto super amplo com banheiro enorme, entramos no carro e reprogramamos o GPS para Rocamadour. Mesmo com muitas placas indicando as vilas e cidades da região e informando a distância, sempre saímos com o GPS que, embora às vezes ofereça opções de caminho com alguns erros (mapas desatualizados, obras inesperadas na pista, etc), ele sempre oferece uma segurança de chegarmos em algum lugar e nos deixa mais livres para nos perdermos por qualquer estradinha que nos atraia.



 

Chegamos em Rocamadour rapidamente depois de percorrer estradinhas bucólicas (sempre asfaltadas), cercadas de muito verde e flores na beira da estrada, de margaridinhas, a dentes-de-leão amarelos e papoulas vermelhas. O Office de Tourisme já estava fechado então teríamos que voltar lá no outro dia pra pegar mapas e folhetos. Aproveitamos então pra umas fotos na Chapelle et Hôpital Saint-Jean que fica em frente, na parte alta de Rocamadour.




Fomos a um mercado comprar um estoque de água e algum lanche. O sol já começava a se pôr (nessa época, começo de maio, escurece plenamente depois das 21h30 - ainda eram 19h) deixando a cidade de Rocamadour com sombra. Como era nossa visita preliminar na cidade, sabíamos que deveríamos voltar de manhã pra ter uma boa iluminação frontal para as fotos.


 






Decidimos percorrer a cidade pela estrada de baixo até chegar ao outro lado do vale e assim ter visto Rocamadour de todos os ângulos externos. 



Muitas fotos e de repente vimos um balão sendo inflado no campo em frente a cidade.Fotos, filmagens, ficamos super empolgados, desejando ser nós a voarmos pela região.

 

Deixamos o carro no estacionamento debaixo e subimos algumas escadas até dentro da cidade. Dia findando, a rua principal já estava meio vazia. É um lugar mesmo impressionante, uma viagem no tempo, e uma experiência de verticalidade e vertigem arquitetural.


Porta de Salomão. Curti a cabine telefônica na torre...

Caminhando pela cidade quase vazia, as escadas e portas nos chamavam. Subimos a Escada dos peregrinos com seus 216 degraus... Carregamos nosso filho até onde deu... A foto abaixo tiramos depois de entrar nesta portinha. Molduras da própria arquitetura!




Por algum motivo se diz que Rocamadour é um local de vertigens.
 Mortos de fome, paramos em um restaurante que tem vista para a cidade. A noite caiu e a cidade se iluminou - lindo demais. Aline escolheu um crepe e eu um prato com produtos típicos da região, como o foies gras, salada com moela de pato e nozes. E vinho, claro.

 
Chegamos no hotel exaustos. Quarto muito limpo, camas super confortáveis, banho quentinho. Durante o dia a temperatura chegou a 35 graus. Escolhemos uma boa época e pegamos um clima muito bom.




ITÁLIA - Dia 10: Siena - Pisa

Depois do café da manhã, aproveitamos pra cair na piscina mais uma vez. Logo carregamos o carro poisn nossa viagem pela Itália acabaria no final do dia. Seguimos pra Pisa e decidimos aproveitar que teríamos tempo pra visitar os monumentos da cidade. Programamos o  GPS e fomos circulando a cidade de Pisa até que vimos logo ali, entre uma paisagem bucólica, os grandes monumentos: o batistério, a catedral e a torre inclinada.

Tentamos achar um lugar o mais próximo possível da praça onde estes monumentos se encontram e estacionamos no pátio de um hipermercado (estacionamento pago), antes de nos metermos em uma área mais "encurralada". Caminhamos um pouco e pelo fluxo de pessoas era fácil saber para onde deveríamos ir. Chegando lá, plenas férias de verão europeu, o movimento de turistas era grande. Fomos comprar os ingressos para visitar os monumentos na central de venda, mas não foi muito demorado. Lá se pode comprar ingressos combinados entre monumentos e museus. A venda de ingresso concentrada exigia um cálculo de nosso tempo pra saber o que poderíamos fazer naquele pedaço de dia. Tudo claramente explicado, com informações em várias línguas. Muito simples a compra.
 Decidimos visitar internamente apenas o batistério e o duomo. O batistério impressiona pelo tamanho. É muito alto, na foto abaixo dá pra ter uma idéia das dimensões. Para chegar no segundo nível, precisa subir por escadas.
Dali fomos pro Duomo. Imenso também, muito alto, de uma riqueza ornamental indescritível: pinturas, mosaiscos, esculturas por todas paredes e teto. O lugar é impressionante, se pode passar uma vida lá que não se conseguirá observar tantos detalhes.  

Púlpito.

Castiçal do anjo. Ao fundo o altar principal.
 Nosso tempo acabava, pois tínhamos que devolver o carro antes de pegar o vôo de volta a Paris. A estada ali foi muito rápida, cerca de 2h e meia em Pisa. Deveríamos ter dedicado ao menos um dia completo pra aproveitar o que os monumentos desta parte de Pisa têm a oferecer. Vamos ficar, mais uma vez, devendo à Itália. E pra nos redimirmos, só voltando.
Se a torre inclinada é realmente inclinada?? 
Devolvemos o carro tranquilamente, fizemos o check-in pra Paris e ainda sobraram alguns minutos pra ficar à toa. Os 10 dias de viagem foram fantásticos. Dias esplêndidos de sol, paisagens fantásticas, cidades memoráveis, momentos de profunda alegria. De certa forma lamentamos não aproveitar mais o que a Itália nos oferece. Mas foram dias incríveis que só poderíamos ter vivido estando ali, na velha bota da Itália.


(PS: muitos dados mais práticos da viagem que gostaríamos de registrar aqui foram esquecidos, pois estes post foram escritos mais de meio ano depois da viagem de julho de 2011.).

ITÁLIA - Dia 9: Cortona - Siena

A noite quente passou e sobrevivemos sem ar condicionado e com uma ventilação super barulhenta. O café da manhã (todo de produtos industrializados, exceto o pão), não foi lá grandes coisas, mas a vista compensou. Sentamos numa mesa no terraço próximo a piscina, onde o restaurante do hotel mantém várias mesas sob um grande toldo que protege do sol e permite desfrutar de um vento refrescante vindo do vale. O dia ensolarado seria quente. Oba!!
 De Cortona voltamos novamente para Siena, cerca de 75 km. Resolvemos pegar um hotel diferente do que o de dias antes, mas que também atendesse nossas exigências (café, berço, estacionamento). Assim fomos pro Sangallo Park Hotel (três estrelas). Ele fica em um bairro de Siena, numa parte nova da cidade, fora das muralhas, numa parte alta, com uma vista não fantástica, mas bonita, vasta, aberta. Chegamos exaustos, acabados. Nossas energias estavam findadas e não tínhamos pretensão de voltar ao centro antigo de Siena. Gostamos muito do hotel, com grande área externa, piscina limpa, recepção ampla, atendentes simpáticos e muito bem treinados que nos atenderam em francês.

Nos instalamos e nos preparamos pra sair. Quando passamos por Siena, queríamos ter ido visitar mais uma cidadela pela qual passamos algumas vezes, mas fomos deixando pra volta, por ser a mais próxima: Monteriggioni. Fomos antes a um supermercado, compramos bebidas e alguma comida, e seguimos nosso passeio. Muitos campos de girassóis, e logo da estrada já se avistava lá no alto nosso destino.

Deixamos o carro num grande estacionamento e percebemos que havia algum evento acontecendo por ali. Um acampamento, alguns trailers, pessoas andando fantasiadas com trajes da Idade Média. Ao chegarmos perto de um dos portões da cidade, vimos uma bilheteria mas ela não estava funcionando. Fomos entrando e então percebemos que estavam ainda organizando a festa que aconteceria ali a noite. A pequena cidadezinha estava virada num parque temático com estrutura pra receber muita gente. A cidade em si está morta. Tivemos realmente a sensação de estar andando em uma cidade cenográfica. Percorremos as poucas ruelas. O lugar ainda sobrevive e é muito bonito - pena ter sido transformado com tantas barraquinhas, caixas de som, palco, etc. Aquele clima não nos animou muito a permanecermos por muito tempo. Deu vontade de vir a noite novamente, mas achamos que seria exigir demais de nosso pecurrucho.



Voltamos ao hotel e caímos na piscina merecidamente. Foi delicioso, tudo o que a gente precisava. Pedimos indicação de algum lugar ali por perto para comer algo e nos indicaram uma pizzaria próxima, frequentado por "italianos legítimos", isto é, não frequentada por pra turistas, logo, pizza para italianos de verdade. Fomos a pé com o carrinho de bebê até a pizzaria indicada, caminhada super agradável. Chegamos lá, maior movimento, parecia mesmo uma pizzaria italiana. Pra nossa surpresa, e ironia do destino, na pizzaria de "nativos" tinha uma grande mesa de turistas barulhentos, faladores, ocupando boa parte do espaço sonoro - adivinha a nacionalidade dos turistas? Brasileiros! Depois de levar vários esbarrões dos espalhafatosos, decidimos não nos confraternizar e ficamos conversando em parte do tempo em francês e quando falávamos português era bem baixinho pra não nos descobrirem e nos "monopolizarem" também rsrsrs.
Vinho da casa: nada mais "local".
Saímos de lá e fomos ao hotel. Última noite na Itália, fim de nossos 11 meses na Europa. O céu estrelado foi um convite a sentarmos na beira da piscina, vendo aquele céuzão, noite de verão, cidade iluminada lá embaixo da colina. Joaquim logo dormiu no carrinho e resolvemos pegar aquele lambrusco que ficou gelando no frigobar do quarto e beber ali, na beira da piscina, sentados nas espreguiçadeiras sobre o gramado. Curtindo a noite, sem pressa, brindando à vida. Noite perfeita pra guardar na memória pra sempre. Nossa última noite na Itália pra deixar ainda mais o gostinho de "quero voltar pra Itália".

ITÁLIA - Dia 08: Orvieto - Cortona

Casa Selita e Orvieto nos conquistaram por demais. Se algum dia alguém for para a Itália, siga nossa sugestão. Espero que curtam tanto quando nós esta hospedagem e a cidade (verão, prefira o verão!!). Depois do café da manhã na varanda, ainda fomos de carro a Orvieto (confesso que dirigir por 3 minutos é meio estranho, mas estava muito quente e Aline ainda não estava 100% bem) e fomos visitar alguns lugares da cidade. Orvieto tem muitas opções de lugares pra visitar internamente (museus, igrejas, etc), muitos ligados a história e presença etrusca lá nos antigamentes, ao período medieval e ao Renascimento, claro... Optamos por uma viagem mais externa, então não aproveitamos tudo que Orvieto e as demais cidades oferecem. Mas de Orvieto, havia algumas coisas que precisávamos fazer antes de ir embora. Uma delas era era subir na torre do relógio. Pra alegria geral, tem elevador quase que até ao topo, o que é um luxo em se tratando de monumento para se ter uma vista do alto na Europa.
A vista do alto da torre do relógio é fantástica, se vê toda cidade, em 360º. Pode-se ver o sino de perto... e até pudemos ouvir suas badaladas quando estávamos lá em cima. Altas emoções rsrsr...
O Duomo se destaca na paisagem, gigantesco!
Nos dois dias anteriores, sempre demos uma passadinha pelo Duomo, pois ele é realmente belo em sua decoração exterior. Então pensamos em visitá-lo também internamente, depois de tirar zilhões de fotos de detalhes externos.
Joaquim descansando um pouquinho em uma das portas. Os relevos no bronze são impressionantes.
Que tal observar detalhes como os mosaicos desta coluna? Na foto da porta pode-se ter uma idéia desta conluna no conjunto da fachada. 
Por fim, nos dirigimos ao Duomo e descobrimos que há uma pequena área que é possível visitar sem precisar pagar ingresso. Satisfeitos com essa pequena incursão, já de olho no relógio, decidimos seguir viagem.

Voltamos à Casa Selita em cima do horário pra deixar o quarto. Empacotamos o que ainda faltava rapidamente e carregamos o carro, já iniciando o percurso da volta.
Nosso destino: Cortona. Cerca de 100 km por estrada pedagiada, fluímos super bem até avistarmos no alto a cidade do filme Sob o Sol da Toscana. Tivemos que optar, por falta de tempo, entre Cortona e Arezzo, e depois do papo com a brasileira lá em La Spezia, decidimos Cortona - além de ter toda uma influência do filme, né.


Exibir mapa ampliado
Optamos novamente por um hotel afastado para ter o carro próximo do hotel. Resolvemos pagar mais caro por um hotel que tivesse piscina pois estava fazendo um calor fantástico de verão. Assim, reservamos pelo Booking.com o Corys Hotel RistoArte (4 estrelas) que pela internet tinha uma vista lindíssima. Ao preço de 90 euros (café e berço), descobrimos decepcionados que o "estacionamento" era na rua, na frente do hotel. O quarto era fantástico, espaçoso, mas o ar condicionado não funcionava direito, o sinal da internet não pegava no quarto e não havia área comum nem de lazer. A piscina? Estava com água verde, a mais suja que já vimos na vida, cheia só pela metade. Inútil. A recepção parecia de um hotelzinho de beira de estrada, com um pequeno balcão e a moça da recepção era também quem fazia o café, ou seja, equipe reduzida ao mínimo... Como podia ser 4 estrelas?? Talvez pelo tamanho do quarto e pelos diversos itens de toalete que tinha de cortesia no banheiro... mas e daí? A gente queria era a piscina...

Seguimos logo para Cortona, aproveitar o dia, comer alguma coisa, pois esse seria nosso único dia lá. Na realidade, voltamos um trecho pois para chegar no hotel, circulamos a cidade por fora das muralhas. Deixamos o carro num dos estacionamentos públicos gratuitos fora das muralhas e entramos pela Porta Bifora Etrusca. Começamos a perambular pelas ruas estreitas empurrando o carrinho de Joaquim e logo chegamos a Via Jannelli, com suas casinhas medievais.

Daí percebemos aos poucos que Cortona é uma cidade inclinada. No alto de uma colina, ela segue subindo, subindo. As ruas que não eram subida, eram inclinadas o que nos deu muita cansaço pra manter o carrinho do filhote em linha reta. Mas esse cansaço veio só no final. Atravessamos a cidade: Piazza del Duomo, Piazza Signorelli, Piazza della Republica e fomos descendo pela Via Nazionale, uma das ruas principais de Cortona. Pensamos em ver a fonte na entrada principal da cidade, mas por fim nem fomos verificar se tinha fonte lá. Resolvemos subir, subir, subir até o Santuário de Santa Margherita. Passamos o Convento Doverelle e quando achamos que já estávamos chegando, continuamos a subir, mais, mais, mais... A vista se tornava cada vez mais linda.
O amarelo são campos de girassóis.
Depois de muito esforço e subida, desistimos, quase lá, de continuar subindo até o Santuário. O acesso só era permitido a pé, então deveria ter outro caminho de carro e poderíamos tentar depois. Resolvemos descer e curtir mais de Cortona. Ao invés de voltarmos pela Via Santa Margherita, resolvemos ir recortando por dentro, nos perder pelas ruelinhas e achar um local pra comer algo.
Quase lá, resolvemos voltar. Via Santa Margherita.
Chegamos a Piaza della Republica e ficamos encantados ao ver a saída dos noivos na escadaria do Palazzo Comunale: a italianada jogando arroz e gritando, nós e vários turistas tirando foto daquela cena de filme.

O sol se punha dourado e quente lavando de luz a Via Nazionale, uma das ruazinhas principais. Decidimos sentar numa mesa ali na calçada, pedir um prato de brusquetas de tipos variados, uma salada e uma boa garrafa de vinho branco muitíssimo gelada. A vida pedia!


Tentamos reconhecer algum cenário do filme mas nada nos vinha na lembrança. Nos dias seguintes, depois de voltarmos a Paris, assistimos o filme e percebemos por que não achávamos nenhuma parte de Cortona familiar: praticamente não aparecem locações da cidade. Algumas poucas cenas que Cortona aparece foram gravadas na mesma piaza Signorelli (e a fonte em que a moça toma banho não existe no local em que aparece... tudo bem, o filme é lindo, mas uma certa frustração bateu, ah, isso bateu.)
Seguimos muito cansados rumo ao carro. O sol se punha mas a beleza que a luz dava a cidade inspirava sempre mais uma e mais uma foto.


Programamos o GPS para verificar um caminho de carro até o alto de Santa Margherita. Depois de nos perdermos um pouco (acabamos entrando na cidade murada ... que aperto. Literalmente.) Um senhor nos explicou o caminho.  Qual foi nossa surpresa quando percebemos que nosso hotel "distante", ficava bem próximo do nosso almejado destino. Chegamos por fim no alto do morro, apressados pra ver o pôr do sol. Brincamos de bolha de sabão com nosso filhão e ficamos extasiados com tanta beleza. Um silêncio enorme, somente nós lá no alto. O mundo era nosso!